Agenda de Descarbonização Não Pode Criar Barreiras Tecnológicas, Defende VP da Acelen

Agenda de Descarbonização Não Pode Criar Barreiras Tecnológicas, Defende VP da Acelen
Agenda de Descarbonização Não Pode Criar Barreiras Tecnológicas, Defende VP da Acelen - Foto: Reprodução / Freepik
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Acelen defende neutralidade tecnológica para garantir o sucesso da transição energética brasileira.

A transição energética brasileira sempre foi reconhecida por sua singularidade, ancorada em uma matriz historicamente limpa. Contudo, à medida que a agenda da descarbonização se aprofunda e atinge setores de difícil eletrificação (hard-to-abate), cresce a preocupação com o risco de políticas públicas que privilegiem soluções únicas em detrimento da diversificação de tecnologias. Essa é a tese central defendida por Marcelo Lyra, VP da Acelen, e que ecoa em boa parte do setor industrial.

Conteúdo

Introdução e Posicionamento da Acelen sobre a Agenda da Descarbonização

Para o profissional de energia limpa, a mensagem é clara: o caminho para o Net Zero exige pragmatismo e neutralidade tecnológica. Acelerar a descarbonização não pode significar a criação de barreiras regulatórias ou fiscais que excluam inovações vitais apenas por não se encaixarem em um modelo puramente elétrico. O Brasil, um país de dimensões continentais e economia complexa, demanda uma abordagem multifacetada e sinérgica.

A Transição Energética é Sistêmica e a Diversificação de Tecnologias

O debate sobre a Transição Energética evoluiu de uma simples substituição de carvão e petróleo por sol e vento. Hoje, é amplamente aceito que a transformação é sistêmica. Envolve a eletrificação da mobilidade e da indústria leve, sim, mas também a descarbonização da aviação, do transporte marítimo e da produção de commodities que exigem alta densidade energética.

Nesse cenário, a imposição de um “dogma elétrico” pode retardar a agenda da descarbonização em setores onde os biocombustíveis avançados e o hidrogênio de baixo carbono (Azul ou Verde) oferecem rotas mais rápidas e economicamente viáveis no curto e médio prazo. A diversificação de tecnologias é, portanto, uma questão de eficácia e não de ideologia.

O Risco da Regulamentação Unilateral e as Barreiras

Quando o VP da Acelen alerta sobre barreiras, ele mira principalmente nas falhas de regulamentação que podem distorcer o mercado. Isso acontece quando incentivos fiscais, linhas de financiamento ou mandatos obrigatórios são desenhados para beneficiar exclusivamente uma única rota tecnológica (por exemplo, apenas o hidrogênio verde, excluindo o azul com Captura e Armazenamento de Carbono – CCS).

Tais barreiras criam incerteza e paralisam investimentos de longo prazo. O capital estrangeiro busca previsibilidade e um ambiente que remunere a redução de carbono, independentemente da fonte de energia utilizada para alcançar essa redução. A agenda da descarbonização deve ser baseada na métrica do menor custo por tonelada de CO2 evitada, e não em preferências pré-estabelecidas.

Biocombustíveis Avançados: Vocação Brasileira e o Papel do SAF

O Brasil possui uma vantagem competitiva inegável na cadeia de biocombustíveis. A Acelen, com suas operações de refino, está posicionada para liderar a produção de combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF) e o transporte marítimo. Esses setores não podem ser eletrificados facilmente devido à necessidade de alta densidade energética.

A diversificação de tecnologias defendida pela Acelen inclui o reconhecimento da bioenergia como uma solução pronta. Ao invés de criar entraves regulatórios, o governo deve acelerar a regulamentação de mandatos de uso para SAF e oferecer segurança jurídica para que os investimentos na nova geração de biorrefinarias se concretizem. Ignorar essa vocação é impor uma barreira autoimposta ao potencial de descarbonização do país.

Neutralidade no Mercado de Hidrogênio: Azul, Verde e o Papel do CCS

Outro campo de batalha tecnológica é o hidrogênio. A pressão global para o desenvolvimento do hidrogênio verde é imensa, mas o VP da Acelen e outros líderes industriais defendem que o Brasil deve incentivar todas as rotas de baixo carbono. Isso inclui o hidrogênio azul, produzido a partir de gás natural com a tecnologia de CCS.

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O CCS permite uma descarbonização rápida e em grande escala, utilizando a infraestrutura energética de gás existente. O custo inicial do hidrogênio azul pode ser mais competitivo, funcionando como uma ponte tecnológica para o hidrogênio verde, que ainda luta para atingir a escala econômica necessária. Criar uma barreira contra o CCS seria atrasar a entrada do hidrogênio na agenda da descarbonização industrial.

Segurança Energética, Resiliência da Rede e a Diversificação

Para o setor elétrico, a diversificação de tecnologias é sinônimo de segurança energética. Uma matriz baseada em múltiplas fontes reduz o risco de dependência de um único recurso ou cadeia de suprimentos. Se houver um choque no suprimento de minerais críticos para baterias (lítio, níquel), por exemplo, soluções alternativas de biocombustíveis ou CCS podem amortecer o impacto na agenda da descarbonização industrial.

A Acelen argumenta que a regulamentação deve valorizar a resiliência. A energia limpa despachável, seja ela proveniente de um firm power nuclear, de uma termoelétrica a biomassa com CCS ou de baterias de grande escala, deve ter seu valor reconhecido. A diversificação mitiga os riscos técnicos e geopolíticos inerentes a qualquer grande transição energética.

O Papel da Inovação e o Chamado à Regulamentação Tecnologicamente Neutra

A inovação não prospera em ambientes restritivos. Se a agenda da descarbonização se fecha em torno de poucas tecnologias, o incentivo para pesquisa e desenvolvimento em áreas como biocombustíveis de terceira geração, captura de carbono direto do ar (DAC) e novas soluções de armazenamento diminui drasticamente.

O VP da Acelen clama por uma regulamentação que seja um facilitador, e não um obstáculo. Isso envolve a criação de marcos regulatórios transparentes e tecnologicamente neutros que permitam que diferentes tecnologias compitam em termos de custo-benefício ambiental. A prioridade máxima deve ser a redução efetiva e mensurável de emissões de CO2.

Visão Geral

Em resumo, a defesa da diversificação de tecnologias feita pelo VP da Acelen é um chamado ao realismo na transição energética. O Brasil tem a oportunidade única de ser um líder global, não apenas pela abundância de recursos renováveis, mas pela sua capacidade de integrar soluções complexas – de eletrificação a biocombustíveis e CCS.

A agenda da descarbonização brasileira precisa evitar o erro de criar barreiras para a inovação. O futuro do setor elétrico e da indústria de energia limpa depende da inteligência regulatória para abraçar todas as tecnologias capazes de cumprir as metas climáticas de forma segura e economicamente sustentável. O caminho mais rápido e seguro para o Net Zero é o que permite a competição justa entre todas as soluções de baixo carbono.

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