Parceria pioneira entre a Vestas e o SENAI qualifica a primeira turma de eletromecânicos voltada exclusivamente ao setor eólico, enfrentando o gargalo de mão de obra no mercado brasileiro.
A expansão das fontes de energia limpa no Brasil trouxe à tona um desafio crítico: a escassez de profissionais técnicos devidamente preparados para os parques eólicos de última geração. Para mitigar esse gargalo, a gigante dinamarquesa Vestas uniu forças com o SENAI no Rio Grande do Norte, graduando a primeira turma do país em um curso de Eletromecânica desenhado sob medida para as necessidades específicas da indústria eólica.
A iniciativa, realizada em Lagoa Nova, capacitou 28 jovens em um ciclo de dois anos, mesclando rigor acadêmico com a vivência prática dentro das operações da fabricante. O projeto contou com a expertise do SENAI Nacional, SENAI-RN e do CTGAS-ER, garantindo que o currículo abrangêsse desde o comissionamento de aerogeradores complexos até as tarefas mais delicadas de manutenção preditiva.
Estratégia frente à retomada do setor
O curso surge em um momento de otimismo para o setor eólico nacional, que volta a registrar aportes robustos após um período de desaceleração. A necessidade de elevar a eficiência dos ativos instalados tornou a qualificação profissional um pilar estratégico para garantir a rentabilidade dos projetos.
“A parceria entre o SENAI e a Vestas na formação de Técnicos em Eletromecânica representa uma iniciativa estratégica para fortalecer a educação profissional e contribuir para o desenvolvimento de talentos preparados para atender às demandas da indústria. Para o SENAI, o grande desafio é levar uma formação técnica de qualidade até onde os alunos estão, promovendo uma aprendizagem que una conhecimento teórico e experiência prática.”, destaca Amora Vieira, diretora do SENAI/CTGAS-ER.
Demanda em alta
O aquecimento do mercado é refletido na robusta carteira de projetos da Vestas na América Latina, que soma cerca de 1,1 GW em novos contratos no Brasil, incluindo empreendimentos de grande porte como o complexo Dom Inocêncio (PI) e o Esquina do Vento (RN). Com a área de serviços da companhia saltando de 1,6 GW para mais de 12 GW em ativos monitorados no país, a urgência por equipes técnicas especializadas tornou-se imperativa.
Para Eduardo Ricotta, CEO da Vestas na América Latina, o avanço da transição energética não deve ser medido apenas em megawatts, mas no impacto socioeconômico. Segundo o executivo, o crescimento sustentável da indústria depende intrinsecamente da capacidade de preparar pessoas para as novas vagas qualificadas que a economia verde demanda.
Foco na realidade de campo
Ao contrário de formações generalistas, o programa foca em competências críticas: segurança em altura, sistemas hidráulicos, automação e diagnóstico de falhas em turbinas digitalizadas. Além dos jovens técnicos, a iniciativa abrangeu 38 moradores locais com formações complementares em logística e serviços de apoio, criando um ecossistema de empregabilidade ao redor dos parques.
O sucesso deste modelo piloto sinaliza um caminho a ser seguido por outras empresas do setor. Com a transição para um parque gerador mais moderno e sofisticado, a união entre a capacidade de ensino das instituições como o SENAI e a expertise de campo de players como a Vestas deve consolidar-se como a principal estratégia para sustentar o crescimento da matriz energética brasileira na próxima década.























