Mais da metade dos projetos industriais na fila de conexão do ONS desistiram de suas solicitações sob a Pnast. Uma crise silenciosa ameaça o planejamento energético e os investimentos em energia limpa.
Conteúdo
- O Esvaziamento da Fila: Um Desperdício de Potencial
- O Peso dos Prazos e dos Estudos de Impacto
- Ameaça à Segurança Energética e Descarbonização
- Visão Geral
Um dado alarmante acaba de balançar as estruturas do planejamento energético brasileiro: mais da metade dos projetos industriais que buscaram o Operador Nacional do Sistema (ONS) via fila de conexão optou por abandonar suas solicitações. A informação, oriunda da análise dos pedidos processados sob a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), revela uma crise silenciosa no *pipeline* de investimentos.
Dos 94 projetos industriais que formalmente se candidataram para acessar a infraestrutura de transmissão, um número expressivo de 51 simplesmente retirou seu pleito. Esse índice de desistência é um sintoma claro de que o caminho entre o sonho do projeto e a conexão efetiva ao Sistema Interligado Nacional (SIN) está repleto de obstáculos insuperáveis para a maioria dos empreendedores.
O Esvaziamento da Fila: Um Desperdício de Potencial
A fila de conexão do ONS é, em essência, o termômetro da ambição de expansão da capacidade instalada nacional. Embora os projetos industriais englobem diversas fontes, historicamente a maioria são usinas de energia renovável (eólica e solar), ávidas por escoar sua produção. Ver mais da metade desses pedidos retirados é um sinal vermelho para a capacidade futura do SIN.
Essa desistência massiva não é um ato casual, mas sim o resultado de um cálculo de custo-benefício que se tornou inviável para os investidores. O processo sob a Pnast exige que o empreendedor arque com os custos dos reforços de transmissão necessários para sua entrada. Se o prazo para a obra de reforço se alonga indefinidamente ou se o custo se torna astronômico, a atratividade do projeto evapora.
O Peso dos Prazos e dos Estudos de Impacto
O maior vilão apontado por quem conhece a dinâmica da fila é o tempo. O ciclo de análise, contratação de reforços e, finalmente, a conexão, muitas vezes excede a janela de viabilidade econômica de um projeto de energia. Projetos de energia renovável, por exemplo, têm prazos de *deadlines* contratuais com compradores finais que não podem ser ignorados.
Quando o ONS sinaliza que a conexão demandará anos adicionais para a conclusão de reforços em linhas de transmissão em outras regiões, o empreendedor se vê obrigado a desistir. A desistência de 51 projetos sugere que a infraestrutura de escoamento simplesmente não está acompanhando a velocidade da geração limpa que deseja ser instalada.
Essa anomalia na fila impacta diretamente os leilões futuros e a expansão da matriz. Se projetos que já estavam em fase avançada de *due diligence* estão desistindo, isso sinaliza que a capacidade de escoamento do sistema está saturada em pontos críticos.
Ameaça à Segurança Energética e Descarbonização
A consequência mais séria é o risco à trajetória de descarbonização do Brasil. A energia renovável necessita de uma rede robusta para injetar sua produção. A alta taxa de desistência na fila de conexão do ONS significa que GWs de potencial limpo ficam parados no papel, não chegando ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
O Brasil se beneficia de ter uma matriz majoritariamente limpa, mas a intermitência exige um planejamento de transmissão que permita o fluxo da energia onde ela é gerada (Nordeste) para onde ela é consumida (Sudeste/Sul). Quando os projetos em áreas com excedente de vento e sol desistem, a dependência de fontes de *backup* mais custosas, como o gás natural, pode se manter alta por mais tempo.
A realidade imposta pela desistência de mais da metade dos projetos industriais na fila é um chamado urgente à expansão planejada da transmissão. O custo de não investir agora em reforços de rede será sentido no custo da energia amanhã, traduzido em maior risco de *blackouts* ou no aumento do preço da energia térmica despachada. A próxima rodada de planejamento do ONS deve endereçar essa sangria de investimentos com a máxima prioridade.
Visão Geral
A pesquisa confirmou que, de 94 projetos industriais na fila de conexão da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), 51 desistiram. Isso é mais da metade, confirmando o título. Os motivos subjacentes são os gargalos de infraestrutura de transmissão e o custo/prazo de conexão. Esta notícia é um alarme para o Setor Elétrico. A fila de conexão é o *pipeline* futuro de capacidade instalada (especialmente renovável). Altas taxas de desistência indicam que o custo de conexão ou os *timings* de reforço da transmissão são proibitivos ou irracionais. Isso afeta a previsibilidade do crescimento da matriz e pode levar a um estrangulamento da expansão limpa.
























