Impacto Econômico e Social
Custos da Redução da Jornada de Trabalho: Análise do Ipea
Por Misto Brasil – DF
Uma eventual redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas apresentaria custos similares aos observados em aumentos históricos do salário-mínimo no Brasil. Isso sugere que o mercado de trabalho possui capacidade para assimilar tal mudança.
Esta conclusão faz parte de uma nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira (10). A análise focou nos efeitos econômicos da mudança na jornada, que atualmente é majoritariamente de 44 horas semanais, seguindo a escala 6×1.
Acesse a nota técnica do Ipea.
Ao considerar os principais setores econômicos, como indústria e comércio, que empregam mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional total.
Os achados demonstram que a maior parte dos setores produtivos tem condições de absorver elevações nos custos de trabalho, embora alguns segmentos possam requerer atenção específica.
O estudo foi conduzido pelos técnicos de planejamento e pesquisa Felipe Pateo e Joana Melo, com a colaboração da bolsista Juliane Círiaco, utilizando microdados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023.
A análise aborda a redução da jornada de trabalho como um aumento no custo da hora trabalhada. Essa é uma abordagem diferente daquela encontrada em parte da literatura acadêmica, que frequentemente associa a diminuição da jornada a uma queda automática do Produto Interno Bruto (PIB).
Com a manutenção da remuneração nominal, a redução da jornada de trabalho resulta em um aumento proporcional no custo da hora de trabalho. Este custo é calculado dividindo-se o salário semanal pelo número de horas efetivamente trabalhadas na semana, o que equivale a um aumento do salário-hora.
Visão Geral
A nota técnica do Ipea indica que a transição para uma jornada de 40 horas semanais, mantendo o salário nominal, teria um impacto econômico limitado, comparável a reajustes passados do salário-mínimo. O custo direto para grandes setores como indústria e comércio seria inferior a 1% do custo operacional, sugerindo alta capacidade de absorção pelo mercado de trabalho.
Créditos: Misto Brasil




















