Especialista afirma que instalações de energia solar projetadas conforme normas técnicas de engenharia, como a NBR 6123, oferecem alta resistência a ventos extremos e tempestades severas.
Os recentes episódios de instabilidade climática no Sul e Sudeste do Brasil, incluindo tornados e microexplosões, colocaram em xeque a segurança de sistemas de geração distribuída. Com o aumento da popularidade da energia fotovoltaica, cresce o receio de que painéis solares instalados em telhados possam ser danificados ou arrancados por rajadas de vento intensas.
No entanto, o problema raramente está na tecnologia em si, mas sim no planejamento. De acordo com Sérgio Koloszuk, sócio-diretor da Solar Group, a integridade de uma usina solar está diretamente ligada ao cumprimento rigoroso de diretrizes de engenharia, garantindo que o sistema suporte as variações climáticas típicas de cada região brasileira.
Normas técnicas garantem segurança
O alicerce para instalações seguras é a norma NBR 6123, da ABNT. Este regulamento define as forças do vento que devem ser calculadas para cada localidade do país, evitando que estruturas sejam subdimensionadas. Sérgio Koloszuk ressalta que eventos climáticos recentes, como o ocorrido em Ribeirão Preto (SP), onde ventos chegaram a 120 km/h, ainda estão dentro dos limites previstos pela norma para aquela região, que suporta até 140 km/h.
“A NBR 6123 classifica Ribeirão Preto como ‘Região 3’, onde podem ocorrer ventos de até 140 km/h. Ou seja, não é porque os ventos foram impressionantes que foram fora dos previstos pela norma técnica.”
O risco da falta de capacitação
Um gargalo crítico apontado pelo especialista é a carência de qualificação técnica no mercado de energia limpa. Muitas falhas em estruturas de fixação ocorrem por conta de métodos empíricos, onde instaladores negligenciam o uso de ferramentas precisas, como o torquímetro, ou ignoram as especificações fornecidas pelos fabricantes. Essa falta de rigor coloca em risco não apenas o investimento do consumidor, mas a reputação do setor como um todo.
“No Brasil temos um problema sério de desinformação. Garanto que a imensa maioria dos profissionais do setor sequer sabe o que é um torquimetro, nem sabem que existe norma para cálculo das forças de vento e nem se dão ao trabalho de ler as instruções dos fabricantes.”
Sustentabilidade e qualidade estrutural
A segurança de um sistema fotovoltaico não reside apenas na qualidade dos módulos solares, mas na saúde estrutural do telhado. Koloszuk alerta que o conjunto formado pelo madeiramento, pela estrutura de montagem e pelos painéis deve atuar de forma solidária. Se o suporte do telhado estiver comprometido por falta de manutenção, todo o sistema se torna vulnerável.
O futuro do mercado de sustentabilidade no Brasil depende da transição entre soluções amadoras para projetos de engenharia certificados. Ao priorizar a qualidade técnica em vez de improvisos, o setor garante que os ganhos com a economia de energia não sejam anulados por falhas de instalação, consolidando a confiabilidade das fontes renováveis diante dos novos desafios climáticos.





















