A Orizon, gigante do setor de energia limpa e resíduos, anuncia planos ambiciosos de inaugurar uma nova planta de biometano a cada três meses, impulsionada por uma aquisição estratégica.
A Orizon, uma das principais empresas no cenário da energia sustentável no Brasil, está prestes a consolidar um movimento estratégico que redefinirá sua trajetória de crescimento. Até junho deste ano, a companhia planeja finalizar a incorporação da Vital Engenharia Ambiental, um passo que não apenas expande sua capacidade operacional, mas também acelera significativamente sua incursão no promissor mercado de biometano.
Este anúncio crucial, feito por executivos durante a teleconferência de apresentação dos resultados do primeiro trimestre, sinaliza uma fase de intensa expansão. A aquisição da Vital é vista como o catalisador para a meta de colocar em operação uma nova unidade de produção de biometano a cada trimestre nos próximos dois anos, consolidando a Orizon como um player fundamental na transição energética do país.
Expansão Acelerada no Segmento de Biometano
A fusão com a Vital Engenharia Ambiental representa um marco para a Orizon. A operação, majoritariamente estruturada por meio de ações, com a emissão de 41 milhões de novos papéis, elevará o volume anual de resíduos sólidos processados pela Orizon para impressionantes 14,2 milhões de toneladas. Esse aumento substancial fortalece sua posição competitiva e garante maior previsibilidade de receitas a longo prazo, elementos cruciais para a resiliência operacional da companhia.
O diretor-presidente da Orizon, Milton Pilão, enfatizou o ritmo acelerado que a empresa pretende adotar:
“Com as plantas da Vital Engenharia Ambiental, que também estão em construção, devemos ver, ao longo dos próximos dois anos, praticamente uma nova planta de biometano entrando em operação a cada três meses. É uma agenda de crescimento no biometano já contratada e em construção, com novas unidades iniciando operação nesse intervalo ao longo dos próximos dois anos.”
Novas Fontes de Receita e Reuso Inteligente de Ativos
Além da expansão orgânica e via aquisições, a Orizon surpreendeu o mercado ao vencer o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), garantindo uma receita fixa anual adicional de cerca de R$ 80 milhões. Este resultado veio da contratação de três termelétricas que, originalmente, estavam programadas para serem desativadas, demonstrando a capacidade da empresa de monetizar ativos de forma inovadora.
A UTE Paulínia, em São Paulo, com 21,3 MW, assegurou um contrato de dez anos a partir de agosto de 2026, gerando R$ 42,7 milhões anuais. Embora tenha operado com gás natural e tido sua operação suspensa pela Aneel anteriormente, a Orizon planeja convertê-la para operar com biometano. Similarmente, as UTEs Jaboatão (26,9 MW) e João Pessoa (4,8 MW), no Nordeste, iniciarão seus contratos em outubro de 2028, adicionando R$ 55,3 milhões e R$ 9,9 milhões anuais, respectivamente, e também serão adaptadas para o uso de biometano. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Leonardo Santos, reforçou a estratégia de conversão dessas usinas.
A maximização do valor desses ativos, através da sua integração à estratégia de biometano, ressalta a visão da Orizon em transformar desafios em oportunidades para a economia circular e a geração de energia renovável.
Resultados Financeiros Sólidos e Sustentabilidade
O cenário de crescimento é ancorado por um desempenho financeiro robusto. No primeiro trimestre de 2026, a Orizon reverteu o prejuízo do ano anterior, registrando um lucro líquido de R$ 22,62 milhões. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 30,5%, atingindo R$ 143,38 milhões, e a receita operacional líquida saltou 37,5%, para R$ 331,1 milhões. Essa melhora é atribuída à maturação dos ativos e à diversificação das fontes de receita.
A empresa também reportou R$ 11,5 milhões em vendas de créditos de carbono, totalizando 388.134 toneladas de CO₂. Embora o volume médio mensal de biogás captado tenha recuado 13,4%, essa variação reflete uma transição planejada. O biogás, antes destinado a termelétricas como as de Jaboatão e Paulínia, agora abastece as novas plantas de biometano que estão em fase de ramp-up, consolidando a aposta da Orizon na energia verde.
Com a incorporação da Vital Engenharia Ambiental e uma estratégia clara de expansão em biometano, a Orizon não apenas solidifica sua liderança no tratamento de resíduos, mas também se posiciona na vanguarda da produção de combustíveis renováveis. A cadência de uma nova planta de biometano a cada três meses, aliada à monetização inteligente de ativos e resultados financeiros positivos, projeta a empresa como um pilar essencial para a construção de um futuro mais sustentável e com energia limpa no Brasil.























