Nobel winning MOF tech propels Ahbstra air to water system

Nobel winning MOF tech propels Ahbstra air to water system
Gerador de água Ark da Ahbstra, no centro, é capaz de captar até 508 litros de água por dia da atmosfera (Crédito: Ahbstra/Reprodução)
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Ahbstra lança sistema Ark, prometendo revolucionar o acesso à água potável em áreas áridas. A tecnologia inovadora utiliza materiais MOF, premiados com o Nobel, para extrair água do ar com alta eficiência e baixo consumo de energia.

Em um cenário global de crescente escassez hídrica, a startup britânica Ahbstra emerge com uma solução potencialmente transformadora. Em seu discreto laboratório em Londres, um protótipo complexo demonstra o que a empresa batizou de gerador de água Ark: um sistema capaz de converter umidade atmosférica em água potável. O dispositivo, lançado oficialmente em Barcelona, visa atender à demanda em regiões desérticas e além, prometendo autonomia hídrica para residências e comunidades.

O grande diferencial do Ark reside em sua capacidade de colher um volume impressionante de até 508 litros de água por dia, superando as necessidades de uma família de quatro pessoas no Reino Unido e fornecendo uma quantidade substancial para um indivíduo em locais extremamente secos, como os Emirados Árabes Unidos. Este avanço representa um passo significativo em direção à sustentabilidade e resiliência hídrica, utilizando uma abordagem de energia limpa para enfrentar um dos maiores desafios do século.

Tecnologia Nobel por trás da Inovação

A força motriz por trás da alta performance do Ark são as Estruturas Metal-Orgânicas (MOFs), nanomateriais de ponta reconhecidos com o Prêmio Nobel no ano passado por sua “nova forma de arquitetura molecular”. Essas estruturas, que possuem uma área de superfície interna colossal, são extraordinariamente eficazes na captação de água do ar, mesmo em níveis de umidade tão baixos quanto 10%. Essa capacidade permite que o sistema funcione com uma eficiência muito maior e menor consumo energético comparado aos métodos tradicionais de desumidificação.

Enquanto a extração de umidade do ar não é um conceito novo – aparelhos de ar-condicionado e desumidificadores já o fazem – o sistema da Ahbstra se destaca pelo volume e pela eficiência energética. Testes no Arizona demonstraram que o Ark colheu 384% mais água, utilizando apenas 0,7 kW/h, em contraste com 1 kW/h de um sistema de ponto de orvalho convencional. Isso sublinha o potencial da tecnologia MOF para impulsionar a geração de água atmosférica a um novo patamar.

Design e Escala Comercial

O Ark foi projetado para ser esteticamente agradável, com um exterior moderno de ripas de alumínio resistente às intempéries. Apesar de seu tamanho, comparável ao de um contêiner, o CEO e fundador da Ahbstra, Hashem Arouzi, visualiza o sistema como uma adição sofisticada a propriedades, não algo a ser escondido. A equipe e ele esperam que o equipamento redefina a forma como arquitetos, incorporadores e proprietários abordam a infraestrutura hídrica.

Inicialmente, o Ark se posiciona como uma oferta de luxo, com os primeiros compradores pagando cerca de 150 mil libras por unidade. Entre eles, estão o renomado restaurante Jondal em Ibiza, o arquiteto e investidor Thomas Ermacora, e o empresário Max Gottschalk. A meta da Ahbstra é, no entanto, democratizar o acesso à tecnologia. Com o aumento da produção e sucessivas rodadas de financiamento, a expectativa é que o preço caia “significativamente”, seguindo o modelo de outras tecnologias sustentáveis como veículos elétricos e painéis solares.

O Futuro da Geração de Água e Seus Desafios

Os reatores de partículas dentro dos oito tambores do Ark otimizam a circulação do ar pelas MOFs, maximizando a captação de água. A Ahbstra, em colaboração com a Cambridge Consultants, trabalhou para escalar o projeto de laboratório para uma solução comercial viável. Embora seja um campo nascente, o Ark se posiciona como a primeira solução comercial plug-and-play de colheita de água baseada em MOF nessa escala, apesar da corrida de dezenas de empresas para monetizar essa tecnologia inovadora.

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Para produzir 500 litros, o Ark requer aproximadamente 10 kW de energia, equivalente ao consumo de uma residência grande. A Ahbstra sugere uma combinação de energia solar e da rede elétrica como a “configuração ideal” e busca reduzir o consumo em 20% com melhorias contínuas. O diretor de tecnologia, Richard Perkin, afirma:

“Sabemos que o uso de energia é uma consideração enorme para os clientes e estamos nos esforçando para reduzi-lo.”

A inspiração para Hashem Arouzi veio de uma experiência pessoal em Ibiza, onde um poço em sua propriedade secou. Ele espera que o Ark possa preparar residências particulares para o futuro, tornando-as mais resilientes às mudanças climáticas. No entanto, o diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, Kaveh Madani, alerta que a colheita de água do ar não é uma “solução mágica”. Ele prevê a adoção dessas “tecnologias cientificamente empolgantes” em contextos específicos como residências remotas, resposta a emergências e comunidades insulares, mas enfatiza:

“Não é um substituto para viver dentro dos limites hídricos.”

Madani, que pesquisou extensivamente sistemas hídricos antigos como os qanats iranianos, ressalta a importância de preservar e atualizar esses métodos tradicionais, que muitas vezes são descartados. John Darlington, diretor de projetos do World Monuments Fund para a Grã-Bretanha, reforça a necessidade de não esquecer as lições do passado, à medida que o aumento da construção não tem sido acompanhado por um avanço na infraestrutura hídrica.

À medida que a Ahbstra se prepara para sua primeira grande rodada de financiamento, visando investidores institucionais, a visão de Arouzi é clara:

“No fim das contas, esperamos ser uma marca mais voltada para o mercado de massa.”

Apesar do caminho a ser percorrido para tornar o Ark acessível a um público mais amplo, a entrada da Ahbstra no mercado com sua tecnologia sustentável representa um avanço significativo na busca por soluções hídricas inovadoras em um mundo sedento.

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