EDP expõe recuperação expressiva de energia furtada, evidenciando o risco direto às tarifas e à estabilidade do sistema.
A EDP, ao divulgar a recuperação de mais de 106 mil MWh de energia furtada em 2025, sinaliza um desafio crítico que afeta diretamente o custo final pago pelos consumidores e a segurança do sistema elétrico nacional.
Conteúdo
- Análise do Impacto sobre as Tarifas e Custos Operacionais
- Riscos à Segurança do Sistema e Sobrecarga da Rede
- Investimentos em Tecnologia para Detecção de Fraudes
- Desvio de Recursos para Modernização e Expansão da Rede
- Chamado à Ação Legal e Rigor Contra o Crime de Furto
- Visão Geral: O Desafio Contínuo das Perdas Não Técnicas
Análise do Impacto sobre as Tarifas e Custos Operacionais
Para os profissionais de energia e economia setorial, o furto de energia, ou as perdas não técnicas, é o “imposto invisível” que penaliza o mercado. A recuperação de 106 mil MWh — um volume que poderia abastecer uma cidade de porte médio por meses — reforça a dimensão do problema sistêmico enfrentado pelas distribuidoras.
O impacto sobre as tarifas é imediato e direto. A legislação setorial obriga que as distribuidoras busquem a recuperação dos custos operacionais, incluindo o valor da energia não faturada devido a fraudes e ligações clandestinas. Este custo é incluído na Revisão Tarifária Periódica (RTP) aprovada pela ANEEL, sendo, em última instância, pago por todos os clientes regulares.
Riscos à Segurança do Sistema e Sobrecarga da Rede
Mais do que a perda econômica, o furto desestabiliza a segurança do sistema. Ligacões clandestinas são realizadas sem o devido dimensionamento técnico, muitas vezes sobrecarregando transformadores, cabos e redes de distribuição projetadas para um fluxo de carga específico. Em um cenário de calor intenso, onde a demanda já pressiona os limites operacionais, essas sobrecargas aumentam o risco de falhas em cascata e blackouts localizados.
Este cenário é particularmente grave em regiões onde a segurança da rede já é um desafio. O desvio maciço de energia compromete o planejamento de expansão e a capacidade de resposta a emergências climáticas, temas cruciais para a segurança energética.
Investimentos em Tecnologia para Detecção de Fraudes
A EDP reforça, com esta operação, a importância de investimentos contínuos em tecnologia para a detecção dessas fraudes. A utilização de medidores inteligentes e o monitoramento remoto de desvios de consumo são essenciais para identificar padrões anormais de energia furtada. Ações preventivas e punitivas, como as empreendidas, são cruciais para desestimular a prática.
Desvio de Recursos para Modernização e Expansão da Rede
O combate a essas perdas não se restringe apenas ao varejo de distribuição. O furto de energia desvia recursos que poderiam ser investidos em modernização e expansão da rede. Em vez de aplicar capital na melhoria da qualidade do serviço ou na integração de geração distribuída, a concessionária é forçada a alocar recursos para vigilância e substituição de equipamentos danificados.
Para o setor de energia limpa, o dado serve como um lembrete de que a infraestrutura de distribuição, por onde transitam também os créditos de geração distribuída, precisa ser tratada como um ativo estratégico de altíssima prioridade. Cada MWh furtado é um recurso que não foi gerado de forma limpa, nem entregue com eficiência ao consumidor final.
Chamado à Ação Legal e Rigor Contra o Crime de Furto
A EDP classifica a luta contra o furto como uma batalha contínua pela sustentabilidade do setor. A meta regulatória, conhecida como Perdas Não Técnicas, é um desafio constante, e o fato de terem recuperado mais de 106 mil MWh em 2025 demonstra a persistência da atividade criminosa.
As ações da EDP são um chamado à ação para o Poder Público no sentido de endurecer as penas e facilitar os processos legais contra os fraudadores. Somente com um arcabouço legal mais rigoroso será possível reduzir o impacto do crime sobre a saúde econômica do setor elétrico e sobre o bolso do consumidor que paga suas contas em dia.
Visão Geral
A recuperação de 106 mil MWh furtados em 2025 pela EDP sublinha a gravidade das perdas não técnicas. Este volume representa não apenas um prejuízo financeiro imediato, mas também um aumento indireto nas tarifas e um risco concreto à estabilidade e segurança do sistema elétrico, exigindo maior rigor contra as fraudes e investimentos em tecnologia de detecção.




















