A New Fortress Energy finalizou sua reestruturação global, transferindo o controle de seus ativos estratégicos no Brasil para credores, visando sanar dívidas bilionárias e garantir autonomia operacional.
A gigante de energia New Fortress Energy (NFE) encerrou, nesta sexta-feira (11), uma complexa reestruturação financeira que marca uma virada estratégica para suas operações em solo brasileiro. O processo, iniciado em março, culminou na criação da BrazilCo, uma entidade independente que passa a ser controlada integralmente pelos credores, consolidando a infraestrutura de gás e geração térmica da empresa.
A medida foi fundamental para o ajuste de contas da companhia. Com a transação, cerca de US$ 5,7 bilhões em passivos foram extintos, reduzindo drasticamente o endividamento corporativo da NFE para a casa dos US$ 700 milhões. A nova configuração acionária divide o capital entre os credores, que detêm 65% das ações, e os antigos acionistas da matriz norte-americana, que permanecem com 35%.
Nova governança e foco no mercado brasileiro
A operação não se limitou à troca de comando, mas incluiu uma robusta injeção de capital e renegociação de dívidas. O plano contempla a emissão de ações preferenciais e a captação de recursos frescos, garantindo fôlego financeiro para a BrazilCo seguir operando de forma autônoma. Todo o trâmite contou com o aval decisivo de tribunais britânicos e do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.
Entre os ativos que compõem o novo portfólio da BrazilCo, destaca-se o Cluster Barcarena, no Pará, que integra um terminal de GNL e duas usinas térmicas estratégicas, incluindo a Celba 2 (624 MW) e o projeto da Portocém (1,6 GW). Além disso, a empresa mantém o controle do Terminal de Gás Sul (TGS), em Santa Catarina.
Perspectivas para o setor elétrico
A integração entre a infraestrutura de terminais e as unidades geradoras posiciona a BrazilCo como um player essencial para o equilíbrio do sistema elétrico nacional, garantindo suprimento em momentos de maior demanda
A estratégia agora voltada para o mercado interno foca no aumento das fontes de suprimento de gás natural e na otimização logística das embarcações. Com a saída do controle direto da matriz, a BrazilCo inicia uma nova fase, operando sob uma estrutura financeira independente e focada na resiliência energética do país, em um momento em que a flexibilidade das térmicas é cada vez mais exigida pela matriz elétrica brasileira.














