A montadora chinesa BYD busca uma intervenção urgente da Aneel para garantir o fornecimento de energia necessário à expansão de seu complexo automotivo em Camaçari, na Bahia.
A gigante dos veículos elétricos enfrenta um gargalo estrutural que coloca em risco um robusto plano de investimentos, avaliado em R$ 5,5 bilhões. Para dar continuidade à segunda fase de implantação da fábrica, onde pretende ampliar a produção de modelos híbridos e elétricos, a companhia solicitou formalmente à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma medida extraordinária para elevar sua demanda contratada de 1,5 MW para 25 MW.
O cenário atual aponta que o consumo na planta industrial já ultrapassou o limite estabelecido em contrato, resultando em multas e custos operacionais elevados. A empresa defende que, sem a regularização imediata do acesso à Rede Básica de energia, o cronograma de expansão da unidade baiana pode sofrer impactos severos.
O histórico do impasse na rede elétrica
A dificuldade de conexão não é recente e remonta ao período em que o complexo industrial pertencia à montadora Ford. Desde 2016, sucessivas tentativas de migração para a rede de transmissão não foram consolidadas, seja por falta de assinatura nos prazos estipulados ou por inconsistências contratuais. Embora a BYD tenha retomado o processo em 2024, a perda de novos prazos regulatórios e a falta de garantias financeiras mantiveram o impasse vivo.
A Neoenergia Coelba, concessionária que atende a região, reforça que o projeto deveria ter sido migrado para a Rede Básica há anos. A distribuidora orienta que a fabricante siga os ritos formais, mas a montadora alerta para um risco logístico: caso o pedido dependa das janelas tradicionais de solicitação de acesso, uma nova oportunidade só surgiria em 2027, o que inviabilizaria os planos da empresa a curto prazo.
O apelo por uma solução excepcional
Diante desse cenário, a montadora chinesa apelou ao órgão regulador solicitando que o processo siga por uma via rápida. O pedido envolve a emissão imediata de um parecer de acesso para a carga de 25 MW, além de uma mediação direta entre a empresa, a distribuidora e os agentes do setor elétrico.
A BYD, em seu posicionamento submetido aos reguladores, indicou:
“A regularização do fornecimento é fundamental para que possamos atingir nossas metas de produção e consolidar o polo automotivo sustentável no Nordeste brasileiro.”
O desfecho desta negociação será determinante para o futuro da planta de Camaçari. A Aneel agora analisa se haverá flexibilidade para contornar o rito regulamentar vigente, permitindo que a BYD siga com seus investimentos sem os obstáculos causados pela infraestrutura de energia obsoleta deixada por gestões anteriores.
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