Um Respiro na Inflação: Índices de Preços Brasileiros Apresentam Queda ou Desaceleração
Em fevereiro, o cenário econômico brasileiro apresentou um respiro na inflação, com importantes índices de preços registrando queda ou desaceleração. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta quinta-feira (26) que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como a “inflação do aluguel”, inverteu sua tendência e registrou uma queda significativa.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M)
O IGP-M, a referência para muitos reajustes de aluguel, apresentou uma queda de 0,73% em fevereiro. Este resultado representa uma reversão em relação a janeiro, quando o índice havia subido 0,41%. Com a baixa de fevereiro, o IGP-M acumula uma queda de 0,32% no ano e impressionantes 2,67% nos últimos 12 meses. Para efeito de comparação, em fevereiro do ano anterior (assumindo que a data original se referia a fevereiro de 2023), o índice havia subido 1,06% no mês e acumulava 8,44% em 12 meses, mostrando uma mudança substancial na dinâmica inflacionária.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)
O IPA, que mede a variação de preços de produtos no atacado e tem grande peso no cálculo do IGP-M, registrou uma queda ainda mais acentuada: 1,18% em fevereiro. Este movimento inverteu completamente a leve alta de 0,34% observada em janeiro. Segundo o economista André Braz, da FGV, essa forte retração do IPA foi impulsionada principalmente pela queda dos preços de importantes commodities, como minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%).
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também mostrou uma desaceleração, com uma taxa de 0,30% em fevereiro, inferior aos 0,51% de janeiro. A FGV destaca que cinco das oito categorias de despesas que compõem o índice apresentaram um ritmo menor de aumento de preços ou até deflação:
* **Alimentação:** A taxa caiu de 0,66% para 0,17%.
* **Saúde e Cuidados Pessoais:** Diminuiu de 0,60% para 0,12%.
* **Educação, Leitura e Recreação:** Reduziu de 1,38% para 0,72%.
* **Transportes:** Passou de 0,71% para 0,53%.
* **Vestuário:** Aprofundou a queda, de -0,16% para -0,43%.
Por outro lado, três grupos tiveram pequenos aumentos em suas taxas:
* **Habitação:** Subiu de 0,06% para 0,33%.
* **Despesas Diversas:** Aumentou de 0,17% para 0,37%.
* **Comunicação:** Passou de 0,00% para 0,01%.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)
A inflação na construção civil, medida pelo INCC, também seguiu a tendência de desaceleração. O índice subiu 0,34% em fevereiro, um ritmo mais lento comparado à alta de 0,63% registrada em janeiro. Analisando seus componentes:
* **Materiais e Equipamentos:** A taxa recuou de 0,35% para 0,30%.
* **Serviços:** Aumentou de 0,25% para 0,36%.
* **Mão de Obra:** Teve uma desaceleração notável, caindo de 1,03% para 0,39%.
Visão Geral
Em resumo, fevereiro foi um mês de arrefecimento inflacionário em diversas frentes da economia brasileira. O economista André Braz da FGV explica que a forte queda do IPA foi um fator determinante, influenciada pela redução nos preços de commodities globais. No âmbito do consumidor, o IPC desacelerou principalmente devido à perda de força nos reajustes das mensalidades escolares. Já na construção civil, o custo da mão de obra também contribuiu para a desaceleração geral do INCC. Esses resultados indicam um cenário de contenção dos preços, com a maioria dos indicadores apontando para um menor ritmo de inflação em relação ao mês anterior.
Créditos: Misto Brasil























