Brasil se prepara para liderar o mercado global de combustíveis verdes com mega investimento na Bahia.
A indústria de energia renovável brasileira dá um salto significativo com o anúncio da Acelen Renováveis, subsidiária do Mubadala Capital, de um investimento colossal de US$ 1,5 bilhão. O montante será destinado à construção de uma moderna biorrefinaria na Bahia, com foco na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO).
Este empreendimento ambicioso não apenas reforça a posição do Brasil como protagonista na transição energética global, mas também promete impulsionar a economia baiana e nacional. A unidade fabril será estabelecida em São Francisco do Conde, aproveitando uma infraestrutura industrial já existente. A previsão é que a operação tenha início em 2029, com uma capacidade de produção impressionante de 1 bilhão de litros anuais desses biocombustíveis de ponta.
Consórcio financeiro robusto garante viabilidade do projeto
Para viabilizar este projeto de larga escala, a Acelen Renováveis contou com o suporte de um diversificado consórcio financeiro. Liderado pelo HSBC e pela IFC (braço financeiro do Banco Mundial para o setor privado), o grupo é composto por dez renomadas instituições financeiras, tanto nacionais quanto internacionais. Entre elas estão o BNDES, First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), BID Invest, Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), FinDev Canada, KfW IPEX-Bank, Bradesco, BBVA e Bank of China. Essa colaboração reafirma a confiança no potencial do projeto e na capacidade do Brasil de inovar no setor de energias limpas.
Tecnologia de ponta e expansão agroindustrial
A biorrefinaria utilizará a tecnologia HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), um método reconhecido mundialmente pela sua eficiência na produção de combustíveis renováveis. A iniciativa vai além da produção de SAF e HVO, integrando um robusto braço agroindustrial. Este segmento incluirá o cultivo e beneficiamento de coprodutores da macaúba, além do aproveitamento de matérias-primas como óleo de soja e óleo de cozinha usado (UCO), promovendo a economia circular.
Impacto socioeconômico e projeções animadoras
O impacto deste megaprojeto se estende à geração de empregos e ao desenvolvimento regional. Espera-se a criação de cerca de 3.600 postos de trabalho diretos e indiretos durante a fase de construção. Adicionalmente, o plano prevê o cultivo em 144 mil hectares de áreas degradadas, com uma parcela significativa destinada a parcerias com a agricultura familiar e pequenos produtores, fomentando a inclusão social e a sustentabilidade no campo.
Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) projetam que a cadeia produtiva integrada poderá movimentar impressionantes US$ 40 bilhões na economia brasileira ao longo da próxima década, gerando aproximadamente 85 mil empregos qualificados.
Representantes da Acelen e do Mubadala Capital destacaram o potencial único do Brasil para liderar a transição energética, graças à sua vasta capacidade agrícola, infraestrutura industrial e uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. O CEO da Acelen Renováveis, Luiz de Mendonça, ressaltou que a estruturação do financiamento valida a solidez técnica e ambiental do projeto, marcando uma nova era na execução industrial em larga escala no país.
O apoio a este projeto demonstra a viabilidade comercial em larga escala do SAF na América Latina, abrindo caminho para investimentos semelhantes em toda a região.
afirmou Olaf Schmidt, diretor regional da IFC para Manufatura, Agronegócio e Serviços na América Latina e Europa.






















