A Neoenergia fechou a venda de sua fatia restante na usina hidrelétrica de Dardanelos para fundos da Itaú Asset, movimentando cerca de R$ 400 milhões em caixa.
A Neoenergia, gigante do setor elétrico controlada pelo grupo espanhol Itaú Asset Management, deu mais um passo decisivo em sua estratégia de desinvestimento. A companhia firmou um acordo para repassar os 25% restantes que detinha na usina hidrelétrica de Dardanelos, situada no estado do Mato Grosso. A negociação, voltada a fundos administrados pela Itaú Asset Management, injetará aproximadamente R$ 400 milhões no caixa da empresa brasileira.
Essa transação marca a saída definitiva da Neoenergia do empreendimento localizado no rio Aripuanã. O movimento financeiro também abrange a liquidação total de um débito de R$ 265,8 milhões vinculado à Hidro Participações e concedido anteriormente por uma subsidiária da vendedora. Ambas as cifras ainda passarão por correções monetárias até a conclusão definitiva do negócio regulatório.
A estratégia de rotação de ativos
A venda da participação minoritária remanescente coroa um processo iniciado no final de 2025, quando a empresa já havia repassado 75% da usina para a francesa EDF Power Solutions. Com a nova etapa, a Neoenergia otimiza seu portfólio, focando em frentes prioritárias como a expansão de redes. No fechamento do terceiro trimestre, a alavancagem financeira da companhia marcava 3,44 vezes a relação entre dívida líquida e o Ebitda, refletindo um endividamento líquido na casa dos R$ 52,23 bilhões.
O modelo de gestão de portfólio adotado pela empresa tem sido elogiado por analistas de mercado. A reestruturação do capital e a venda de ativos maduros são essenciais para manter a saúde financeira em um cenário de altos investimentos em infraestrutura, avaliam especialistas do setor elétrico.
O perfil da hidrelétrica de Dardanelos
Entrando em operação comercial no segundo semestre de 2011, a usina de Dardanelos possui capacidade instalada de 261 megawatts, distribuídos em cinco unidades geradoras. O projeto funciona no modelo a fio d’água e tem potencial para suprir a demanda energética de cerca de 1,4 milhão de habitantes. Toda a eletricidade gerada no ativo mato-grossense é comercializada por meio de contratos de longo prazo firmados com dezenas de distribuidoras em âmbito nacional.
Enquanto a EDF segue como controladora majoritária respondendo pela operação técnica do complexo energético, a entrada dos fundos da Itaú Asset Management reforça o apetite do mercado financeiro por ativos de infraestrutura consolidados e com fluxo de caixa previsível no Brasil.
A conclusão bem-sucedida dessa transação demonstra a eficácia da gestão da Neoenergia em destravar valor para seus acionistas. A desalavancagem obtida com a antecipação de recursos abre espaço para que a companhia concentre esforços e capital nos ambiciosos planos de modernização e ampliação de suas redes de distribuição nos próximos trimestres, garantindo sustentabilidade e resiliência frente aos desafios macroeconômicos.














