As concessionárias de energia elétrica no Brasil podem enfrentar uma retração de até 32,3% nas cotas de suprimento da usina de Itaipu a partir de 2027, gerando alerta no setor regulado.
As concessionárias de energia elétrica que operam nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país podem sofrer um impacto expressivo no abastecimento já no início de 2027. Cálculos projeções da Abradee indicam que a fatia de eletricidade oriunda da hidrelétrica binacional de Itaipu reservada para essas empresas poderá encolher significativamente. O motivo principal reside no avanço da demanda externa e nos compromissos de contratação assumidos pelo lado paraguaio da usina.
Diante desse cenário de incerteza regulatória, a associação que representa as distribuidoras enviou um documento formal à Aneel. A entidade cobra celeridade para que o órgão regulador e o MME definam oficialmente os montantes de repasse antes mesmo do próximo certame de contratação, programado para o dia 13 de novembro. A preocupação central é evitar que as companhias iniciem o ano com o planejamento de suprimento defasado.
O Impacto do Consumo Paraguaio
A dinâmica de divisão da energia produzida pela hidrelétrica prevê que a garantia física total seja abatida conforme a carga requisitada pela Ande, a estatal de eletricidade do Paraguai. Com o crescimento econômico e a expansão de setores intensivos em eletricidade no país vizinho — impulsionados por centros de processamento de dados e operações de criptoativos —, a exigência por suprimento tem disparado.
Historicamente, o volume destinado ao mercado brasileiro sofria variações que não acompanhavam o ritmo real de consumo do parceiro binacional. No entanto, os entendimentos diplomáticos firmados entre os governos estipularam que o Paraguai passaria a elevar progressivamente sua absorção até suprir integralmente suas necessidades a partir de janeiro de 2027.
Riscos e Alternativas para o Mercado
A falta de diretrizes normativas claras deixa as empresas em uma situação delicada, uma vez que o prazo para a ratificação das declarações de necessidade de compra nos leilões tradicionais é exíguo. Se a redução se confirmar sem o devido planejamento prévio, as companhias precisarão buscar alternativas de suprimento no mercado para cobrir o déficit operacional.
Leonardo Jardim afirmou:
Precisamos de previsibilidade regulatória para que as concessionárias não fiquem expostas a um cenário de déficit involuntário no fornecimento aos consumidores finais
Como solução, a associação propõe a abertura de janelas extraordinárias de revisão de compras ou a realização de um certame de ajuste no início de 2027. A medida garantiria estabilidade tarifária e segurança operacional, equilibrando a oferta diante de um panorama de profundas mudanças nas regras de despacho da binacional.














