Peru e Chile articulam a construção de uma linha de transmissão binacional de 1.000 MW, avaliada em US$ 550 milhões, para otimizar o comércio de eletricidade e escoar excedentes de energia renovável.
A diplomacia energética sul-americana ganha um novo capítulo com a retomada das tratativas entre Peru e Chile para a criação de um corredor elétrico transfronteiriço.
O plano estratégico desenhado pelas autoridades dos dois países busca estabelecer uma rota de alta capacidade para o fluxo de eletricidade, transformando a matriz energética regional em um sistema mais integrado e flexível.
A iniciativa foi colocada em pauta durante a 21ª edição do Conselho Empresarial Chile-Peru, sediado em Lima, integrando os compromissos bilaterais firmados no âmbito do Plano de Ação de Santiago.
O eixo central da proposta consiste na implementação de um sistema de 500 quilovolts (kV), interligando a localidade peruana de Montalvo à subestação chilena de Kimal, situada no norte do território vizinho.
Com capacidade projetada para 1.000 megawatts (MW), a estrutura permitirá o envio e recebimento de eletricidade conforme a flutuação da demanda interna e a disponibilidade de geração de cada nação.
Levantamentos conduzidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apontam que o montante necessário para tirar a obra do papel gira em torno de US$ 550 milhões, com perspectivas de transações anuais expressivas e vantagens financeiras estimadas em US$ 170 milhões anuais para o bloco.
Aproveitamento de excedentes solares e eólicos
Um dos principais impulsionadores da obra é a urgência em mitigar o desperdício de eletricidade limpa no norte chileno. A região registra forte expansão de parques fotovoltaicos e eólicos, mas esbarra em gargalos de infraestrutura que impedem o escoamento total da produção.
Durante os primeiros meses de 2026, o volume de cortes na geração renovável do Chile atingiu patamares elevados, evidenciando a necessidade de novos mercados consumidores.
Com a nova via de transmissão, essa energia excedente poderia ser canalizada para o mercado peruano em horários de pico, enquanto o Peru também teria a oportunidade de exportar eletricidade gerada por suas centrais hidrelétricas e térmicas a gás natural.
Paralelamente, o mercado peruano demonstra vigor interno, impulsionado por um salto de 87% na produção fotovoltaica do primeiro semestre de 2026, impulsionado por polos produtivos localizados em Arequipa e Moquegua.
Novas frentes de integração e próximos passos
Enquanto o megaprojeto principal segue em fase de debates diplomáticos, frentes menores de integração também ganham tração na zona de fronteira.
A empresa EnorChile Transmisión protocolou recentemente a avaliação ambiental para o empreendimento Los Héroes-Parinacota, orçado em US$ 30 milhões.
O traçado prevê cerca de 22 quilômetros de extensão para unir Arica e Tacna, contando com uma tecnologia conversora essencial para sincronizar as frequências distintas dos sistemas elétricos de ambos os países.
Analistas do setor elétrico afirmam:
A interconexão representa um marco para a segurança energética da região, permitindo que os recursos excedentes de uma nação complementem as necessidades da outra de forma eficiente.
Apesar do otimismo dos governos, a concretização da linha de 1.000 MW ainda carece de um cronograma oficial de execução e de um veredito definitivo sobre o aporte financeiro.
O ministro de Energia e Minas do Peru, Guillermo Shinno, planeja alinhar os próximos passos com a ministra de Energia do Chile, Ximena Rincón.
Caso as tratativas não avancem nas próximas semanas, o tema deve dominar os debates na cúpula binacional agendada para o final de novembro, quando os marcos regulatórios e comerciais da integração deverão ser aprofundados.













