O uso de baterias de armazenamento embarcadas surge como solução inovadora para otimizar a matriz energética nacional, reduzir custos operacionais e enfrentar os desafios do curtailment nas diferentes regiões do país.
A expansão expressiva das fontes renováveis no Brasil tem transformado a dinâmica de operação do sistema elétrico, exigindo mecanismos mais eficientes de retenção de energia.
O principal obstáculo atual não reside apenas na capacidade de geração limpa, mas na habilidade de direcionar essa eletricidade para os pontos de maior consumo e no momento exato em que ela é necessária.
Com o avanço global em tecnologias de armazenamento — impulsionado por um salto significativo na instalação de baterias em todo o mundo —, o mercado nacional lida simultaneamente com o fenômeno do curtailment.
Essa restrição operacional, que atinge fortemente o Nordeste devido à alta produção eólica e solar, tende a se expandir também para a região Sul nos próximos anos.
Inovação com o BESS embarcado
Para mitigar o desperdício de energia e otimizar a infraestrutura, um projeto estratégico de Pesquisa e Desenvolvimento aposta no conceito de BESS embarcado.
Trata-se de um sistema de armazenamento montado sobre embarcações, cuja principal vantagem competitiva é a mobilidade geográfica ao longo do ano.
Diferente das unidades tradicionais fixas, acopladas permanentemente a um único ponto da rede, o modelo flutuante pode migrar conforme a sazonalidade climática.
A estratégia prevê atuação no Nordeste durante os meses de maior oferta renovável e deslocamento para o Sul nos períodos de pico de demanda por geração solar, maximizando o aproveitamento do ativo.
Impacto econômico e eficiência operacional
Do ponto de vista financeiro, a flexibilidade de localização ajuda a diluir os custos elevados de aquisição e manutenção em um cenário de taxas de juros desafiadoras.
Ao evitar a ociosidade do equipamento, o sistema distribui o investimento por um volume superior de energia útil.
João Vieira, gerente de Projetos da Karpowership Brasil, pontua:
Uma bateria que pode ir até onde o problema está pode valer mais do que outra obrigada a permanecer no mesmo lugar durante toda a sua vida útil.
Desafios regulatórios e perspectivas futuras
Apesar da maturidade tecnológica, o avanço dessa modalidade esbarra na legislação vigente, estruturada integralmente para ativos estáticos.
Para solucionar o entrave, pesquisadores analisaram experiências internacionais na Europa, Estados Unidos e Filipinas, resultando em dez propostas regulatórias apresentadas ao setor.
As sugestões contemplam a criação de categorias específicas para BESS móveis, outorgas flexíveis e conexões temporárias, com potencial integração em leilões futuros.
Com o avanço da transição energética, adaptar o marco legal será determinante para transformar a mobilidade em um pilar de flexibilidade e segurança para a rede nacional.













