O Brasil projeta saltar para a segunda posição global em energia solar com baterias até 2035, alcançando custos altamente competitivos e atraindo setores de tecnologia e indústria pesada.
O Brasil está prestes a consolidar sua posição como uma das nações mais eficientes na transição energética global. Uma nova projeção da Irena (Agência Internacional de Energia Renovável) indica que, em pouco mais de uma década, o custo da geração solar integrada a sistemas de armazenamento no país poderá atingir a marca de 41 dólares por megawatt-hora.
Este cenário coloca o mercado brasileiro em um patamar privilegiado, sendo superado apenas pela China em termos de competitividade. A integração entre a potência da radiação fotovoltaica nacional e a tecnologia de baterias promete transformar a matriz energética, oferecendo segurança e estabilidade para setores que dependem de fornecimento ininterrupto.
O papel das baterias na queda de preços
A viabilidade dessa meta é sustentada pela queda drástica no custo das tecnologias de armazenamento. Nos últimos 14 anos, o valor global dessas soluções despencou impressionantes 93%, tornando a viabilidade econômica de projetos de larga escala uma realidade palpável.
Conforme aponta a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), a capacidade de armazenar energia permite otimizar o uso da infraestrutura de transmissão, deslocando o excedente produzido durante o dia para os picos de consumo noturnos, algo essencial para o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional.
Armazenar eletricidade permite deslocar parte da produção para períodos de maior demanda e aproveitar melhor a infraestrutura elétrica, reduzindo a necessidade de geração convencional de suporte.
Novas fronteiras para o setor elétrico
Essa evolução tecnológica abre portas para atrair investimentos de alto valor agregado, especialmente para centros de dados (data centers) e indústrias eletrointensivas. Além disso, o cenário favorável impulsiona projetos de hidrogênio verde, que exigem uma base de energia limpa e constante para atingir níveis ótimos de produção e viabilidade comercial.
O estudo 24/7 Renewables, utilizado pela Irena, utiliza modelos que simulam a confiabilidade dos projetos em até 95%, garantindo que a tecnologia de baterias seja dimensionada corretamente para cobrir variações horárias. No entanto, especialistas ponderam que, para eventos climáticos prolongados, a diversificação da matriz continuará sendo um componente estratégico para a resiliência energética do país.
Olhando para o futuro, o desafio brasileiro será manter o ritmo de atração de capital e a execução eficiente de políticas públicas. Se a projeção se confirmar, o Brasil não apenas deixará de depender de fontes fósseis em horários críticos, como se tornará um hub de energia barata, atraindo indústrias que buscam descarbonizar suas cadeias de suprimento com custos de energia extremamente competitivos.














