A Bioo formalizou o primeiro contrato de venda de CGOBs do mercado brasileiro para um cliente europeu, validando o potencial internacional do biometano nacional como ativo de descarbonização.
A transição energética brasileira acaba de ganhar um capítulo importante com o movimento estratégico da Bioo.
A empresa, que opera uma planta de biometano em Triunfo, no Rio Grande do Sul, anunciou nesta terça-feira (20/10) a assinatura de seu primeiro contrato de venda de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs) para um grande player da Europa.
Este marco representa a primeira vez que o instrumento de rastreabilidade, regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no início de 2026, é utilizado para atender à demanda de uma companhia estrangeira.
A entrega dos títulos está programada para o final deste ano, dependendo apenas dos trâmites operacionais para a emissão definitiva dos certificados.
O valor do atributo ambiental
A operação destaca uma tendência crescente no mercado global: a valorização da descarbonização brasileira.
Ao desvincular o atributo ambiental da molécula física de gás, o setor abre portas para um modelo de comercialização mais ágil e eficiente.
Maurício Cótica, fundador da Bioo, afirmou:
“A operacionalização plena do instrumento será mais um vetor importante para a viabilização de novos projetos de biometano no país”
A Bioo, que conta com o apoio estratégico de sócios como a Flying Rivers, a Sebigas Cótica e a BNDES Participações (BNDESPAR), reforça com essa venda que o biometano nacional é um ativo competitivo, mesmo que o consumo físico da molécula ocorra internamente, enquanto o benefício ambiental é contabilizado globalmente via modelo book-and-claim.
Impacto regulatório e metas de descarbonização
Os CGOBs integram o arcabouço do programa Combustível do Futuro, que estabelece metas para que produtores e importadores de gás fóssil reduzam suas emissões.
Para 2024, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu uma meta de 0,5%, o que equivale a um volume expressivo de 181,7 milhões de metros cúbicos de biometano anuais.
Para que o mercado ganhe escala, o setor aguarda a plena ativação do sistema de lastro da ANP, que conectará as notas fiscais de venda ao fluxo de auditorias de certificação.
À medida que essa infraestrutura digital se consolida, a expectativa é que novos contratos de venda de atributos ambientais surjam, posicionando o Brasil como um fornecedor chave de soluções de baixo carbono para investidores e indústrias de todo o mundo.
















