Três cooperativas do Rio Grande do Sul garantem novos contratos de energia limpa após rescisão unilateral de acordos anteriores pela Electra.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chancelou recentemente novos acordos de suprimento elétrico para três permissionárias gaúchas. A movimentação ocorreu após o rompimento abrupto de contratos anteriores por parte da Electra Comercializadora de Energia, obrigando as instituições a buscarem alternativas urgentes no mercado para manter a estabilidade do abastecimento regional.
O episódio escancara os impactos da volatilidade do setor elétrico sobre distribuidoras de menor porte. Com os novos acertos formalizados no Diário Oficial da União, o volume total contratado atingiu 36,3 MW médios, assegurando o fornecimento essencial para os consumidores cativos a partir de setembro de 2026.
A crise da Electra e o impacto no Rio Grande do Sul
A necessidade de novas contratações nasceu de um cenário crítico enfrentado pela Electra, que entrou em recuperação judicial após o encarecimento drástico do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). A escalada nos custos de aquisição de eletricidade inviabilizou a manutenção de antigos acordos de longo prazo firmados a tarifas reduzidas.
Como reflexo, dezenas de distribuidoras perderam o lastro necessário para atender seus mercados. No caso gaúcho, as cooperativas precisaram agir rapidamente para cobrir o déficit operacional gerado pelo corte unilateral, que rompeu laços que deveriam perdurar até a próxima década.
Novos parceiros e volumes negociados
Para contornar o revés, as instituições realizaram novos certames competitivos que atraíram dezenas de proponentes. A Cooperativa Regional de Eletrificação Rural do Alto Uruguai (Coprel), principal afetada, firmou compromisso com a Lux Energy para a aquisição de 23 MW médios.
Outra beneficiada foi a Cooperativa Distribuidora de Energia Fronteira Noroeste (Cooperluz), que garantiu 6 MW médios com a mesma comercializadora. Já a Cooperativa de Distribuição de Energia Entre Rios (Cermissões) optou por fechar parceria com a Tria Comercializadora, assegurando 7,3 MW médios para suprir sua demanda.
A rápida reorganização do mercado livre e regulado demonstra a resiliência das cooperativas gaúchas diante de cenários adversos de instabilidade tarifária e rupturas contratuais.
A superação deste impasse reforça a importância de mecanismos de contingência eficientes no Sistema Interligado Nacional (SIN). As cooperativas agora voltam o foco para a implementação dos novos acordos, garantindo previsibilidade tarifária e segurança energética para milhares de unidades consumidoras no interior do estado até o final da década.














