Cientistas no Reino Unido transformam soro salgado de queijo em bioetanol, criando uma rota inovadora de energia limpa para resíduos da indústria de laticínios.
A busca por matrizes energéticas alternativas encontrou um aliado inusitado nas fábricas de laticínios britânicas. Um avanço tecnológico liderado pela Universidade Heriot-Watt e pela startup Take Root Bio conseguiu converter o soro salgado, um subproduto problemático da fabricação de queijos, em bioetanol de alta qualidade.
A iniciativa, anunciada recentemente, ataca um gargalo histórico do setor alimentício. Apenas no Reino Unido, a produção de queijos como o cheddar gera anualmente cerca de 95 mil toneladas desse líquido residual. Composto por uma mistura complexa de açúcares do leite e altas concentrações de sal, o material sempre exigiu descartes custosos e logisticamente complexos.
Desafios na Gestão de Resíduos e o Potencial Energético
O grande mérito da pesquisa foi isolar os açúcares presentes no subproduto e utilizá-los em processos de fermentação biológica. O ICBD (Centro Internacional de Cervejaria e Destilação) uniu forças com o IBioIC (Centro de Inovação em Biotecnologia Industrial) para desenhar essa rota de valorização.
Apesar de o volume gerado por um único produtor alcançar dezenas de milhares de litros semanais, o projeto ainda avalia a escala comercial e os rendimentos exatos da conversão. Contudo, os pesquisadores reforçam que a inovação vai além da simples geração de combustível sustentável, abrindo espaço para a economia circular no campo.
Shiwen Zhuang, especialista da Universidade Heriot-Watt, destacou:
O trabalho permitiu investigar como processos biológicos poderiam recuperar parte do valor presente no soro e aliviar as dificuldades associadas ao descarte.
Da Tecnologia Espacial para as Fábricas de Laticínios
A expertise por trás da tecnologia tem raízes surpreendentes. A Take Root Bio aplicou no projeto conceitos originalmente desenvolvidos para a produção e reciclagem de alimentos em ambientes espaciais, onde a eficiência e o reaproveitamento total de recursos são questões de sobrevivência.
Para viabilizar o modelo em larga escala, a empresa estuda a criação de unidades móveis de processamento. A ideia é posicionar essas estruturas diretamente próximas aos laticínios, eliminando os custos e a pegada de carbono associados ao transporte de grandes volumes de resíduos líquidos.
O sucesso na conversão do soro lácteo abriu caminho para novas investigações. Os pesquisadores agora planejam aplicar metodologias semelhantes em resíduos agrícolas e no processamento de frutas e hortaliças, consolidando o potencial dos biocombustíveis na redução de impactos ambientais.
















