A publicação do primeiro Leilão de Gás Natural da União é vista pela indústria química como uma oportunidade estratégica para ampliar o acesso ao insumo, diversificar o suprimento e fortalecer a competitividade do setor em 2027.
A publicação do edital do primeiro Leilão de Gás Natural da União abre uma nova frente para ampliar o acesso da indústria brasileira ao insumo e fortalecer a competitividade de setores intensivos em energia limpa e matérias-primas. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que defende medidas complementares para estimular a concorrência, aprimorar a infraestrutura e garantir condições econômicas e regulatórias adequadas ao aproveitamento industrial do gás natural.
Publicado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), o edital prevê a oferta de até 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, distribuídos em 110 lotes. O certame representa um marco importante para o mercado de gás no país, criando novas perspectivas para o fornecimento direcionado às empresas nacionais.
Detalhes do Leilão e Oferta para a Indústria
O leilão será realizado por meio da plataforma eletrônica da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), sendo destinado exclusivamente a empresas brasileiras enquadradas como indústria de base. Do total ofertado, 35 lotes são direcionados especificamente aos setores químico e petroquímico.
Esses segmentos utilizam o insumo tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados, metanol, resinas termoplásticas, gases industriais e diversos intermediários químicos, fundamentais para a economia nacional.
A Visão do Setor Químico
Em 2025, o consumo do recurso pela indústria química brasileira se aproximou de 7,1 milhões de metros cúbicos diários. Para lideranças do setor, o certame é apenas o primeiro passo rumo a uma transformação estrutural mais profunda na matriz energética e produtiva.
André Passos Cordeiro afirmou:
O leilão é uma oportunidade importante para ampliar as alternativas de suprimento da indústria e avançar na abertura do mercado de gás natural. Mas a competitividade depende de uma agenda mais ampla, que envolva oferta efetiva, concorrência, infraestrutura e condições regulatórias capazes de permitir que o gás chegue à indústria a preços competitivos.
Entre as prioridades defendidas pela entidade estão a ampliação e diversificação da oferta, o acesso não discriminatório às infraestruturas essenciais e a expansão da capacidade de escoamento, processamento, transporte e armazenagem do gás natural.
Desafios e Próximos Passos
A Abiquim também reforça a necessidade de valorizar os líquidos do insumo, como etano, propano e butano, que possuem alto valor para a cadeia petroquímica. A integração eficiente entre recursos naturais e demanda produtiva é vista como vital para o crescimento sustentável.
André Passos Cordeiro declarou:
O Brasil precisa transformar sua disponibilidade de recursos naturais em produção industrial e valor agregado. Isso exige integrar a oferta de gás à infraestrutura e à demanda produtiva, com regras previsíveis e condições que estimulem investimentos no país, em vez de limitar o potencial de desenvolvimento das cadeias industriais.
As diretrizes do setor estão alinhadas à Agenda Estratégica da Indústria Química, que trata a infraestrutura competitiva como elemento central para o desenvolvimento. A expectativa é que a abertura progressiva do mercado traga maior estabilidade, atraia novos investimentos e impulsione a sustentabilidade econômica e energética do Brasil nos próximos anos.














