A Gasmig planeja expandir o uso de redes isoladas de biometano para o Sul e Norte de Minas Gerais, encurtando distâncias e antecipando o acesso ao gás natural em regiões estratégicas.
A Gasmig está redefinindo o mapa de distribuição de energia em Minas Gerais. Ao apostar no modelo de redes isoladas alimentadas por biometano, a companhia mineira pretende levar o insumo a regiões distantes da malha convencional, como o Norte e o Sul do estado, sem a necessidade imediata de grandes obras estruturais de gasodutos.
A iniciativa, que ganhou tração a partir de projetos pioneiros no Triângulo Mineiro, inverte a lógica tradicional: em vez de esperar a expansão física da rede principal, a empresa foca em criar polos regionais de consumo próximos à fonte de produção. Essa estratégia permite atender indústrias de setores vitais, como mineração, celulose e fertilizantes, com maior agilidade.
Estratégia regional para o crescimento sustentável
O modelo de descentralização baseia-se na proximidade entre a geração de biometano — frequentemente derivada da cadeia sucroenergética — e os grandes polos consumidores. Com mais de 2 mil quilômetros de rede já instalados, a Gasmig enxerga nessas redes independentes um “embrião” para uma futura interconexão sistêmica em todo o território mineiro.
O presidente da companhia, Gustavo De Marchi, destaca que a expansão reflete uma tendência consolidada de transição energética no país. A expectativa é que a produção nacional de biometano salte para cerca de 35 milhões de metros cúbicos diários até 2030, tornando o gás renovável um pilar fundamental da competitividade industrial mineira.
A nossa estratégia de redes isoladas permite antecipar o desenvolvimento de mercados que, de outra forma, teriam que aguardar por anos a conclusão de projetos complexos de infraestrutura, garantindo que o gás chegue onde a indústria precisa agora.
Desafios regulatórios e o futuro da distribuição
Apesar do otimismo com a expansão, a Gasmig monitora com cautela o cenário regulatório em Brasília. A empresa manifestou preocupação com as discussões sobre a reclassificação de gasodutos em âmbito federal. Para a distribuidora, o risco reside na possível migração de ativos estaduais para a esfera federal, caso o governo adote critérios rígidos de pressão e diâmetro para definir o que é um gasoduto de transporte ou de distribuição.
Para De Marchi, a classificação deve preservar a autonomia estadual, priorizando a funcionalidade e o uso real das redes. Superado esse impasse, a empresa prepara uma nova chamada pública para consolidar a interiorização do biometano. O sucesso da estratégia não apenas fortalece a matriz energética mineira, mas também oferece um modelo replicável para outros estados que buscam descarbonizar sua indústria com soluções locais e eficientes.
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