Descubra como a escolha da estrutura de fixação solar em telhados coloniais garante durabilidade, evitando problemas e assegurando o investimento em energia limpa.
O cenário da energia solar no Brasil demonstra um crescimento robusto, com mais de 4,3 milhões de sistemas de geração distribuída conectados à rede até abril de 2026. Desse total, impressionantes 84% estão instalados em residências, muitas delas utilizando o tradicional telhado colonial com telhas cerâmicas. No entanto, o sucesso dessa expansão depende criticamente da qualidade da instalação solar, especialmente no que tange à estrutura de fixação dos painéis.
Apesar da popularidade, a má execução ou a escolha inadequada de suportes solares para esses tipos de coberturas pode gerar uma série de problemas, como quebra de telhas, infiltrações e falhas estruturais. O ponto mais relevante é que a telha cerâmica, por sua natureza, não foi projetada para sustentar peso, mas sim para vedar. Portanto, a chave para uma instalação eficaz e segura reside na correta ancoragem do sistema diretamente no madeiramento do telhado, garantindo a segurança e a durabilidade do sistema fotovoltaico.
A importância do Gancho Tipo Z e Seus Ajustes
Para telhados coloniais, o método mais confiável de fixação é o uso do gancho tipo Z. Esse componente é projetado para ser fixado diretamente nos elementos estruturais do telhado, como caibros ou terças, sem a necessidade de cortar as telhas. A telha é cuidadosamente levantada, o gancho é ancorado ao madeiramento e, em seguida, a telha volta à sua posição original, com o gancho contornando-a e recebendo o perfil de alumínio que suportará o módulo solar.
Um erro comum, e que compromete a durabilidade da instalação, é a ausência de ajuste de altura no gancho. Se o gancho não permitir essa regulagem, a telha pode acabar apoiada nele em vez de retornar ao seu suporte original, transformando-a indevidamente em um elemento de carga. Essa falha de concepção pode levar a rachaduras e quebras de telhas semanas ou meses após a montagem, principalmente devido à dilatação térmica, manutenções ou fortes rajadas de vento, resultando em custos adicionais e insatisfação do cliente.
Evitando Erros Críticos na Fixação
Além da falta de ajuste de altura, outros equívocos na fixação em telha colonial são frequentes. O posicionamento do gancho é fundamental: ele deve ser instalado na parte alta da onda da telha, próximo ao seu ponto de apoio, e nunca na calha, que é a área por onde a água escoa. Fixar em ripas, em vez de caibros ou terças, também é um erro grave, pois as ripas não oferecem o suporte estrutural necessário.
A NBR 7190-1 estabelece os critérios para dimensionamento e ligações em madeira, e é crucial que o madeiramento existente seja avaliado. Telhados mais antigos raramente foram projetados para suportar o peso adicional e os esforços de um sistema fotovoltaico. A condição da madeira, incluindo idade, umidade e sinais de cupins, deve ser verificada antes mesmo da elaboração do orçamento, e não apenas durante a fase de instalação, para garantir a segurança da estrutura.
O Vento como Fator Decisivo no Dimensionamento
Contrariamente à percepção popular, o peso dos módulos fotovoltaicos (cerca de 12 a 15 kg/m²) é relativamente modesto e raramente o fator determinante no dimensionamento da estrutura de fixação. O elemento que realmente manda é o esforço de sucção provocado pelo vento. A NBR 6123, norma que aborda as forças do vento em edificações, indica que os coeficientes de pressão e sucção são significativamente maiores nas bordas e nos cantos da cobertura.
Um módulo solar instalado próximo ao beiral do telhado, por exemplo, estará sujeito a forças de arrancamento muito mais intensas do que um módulo posicionado no centro. Isso explica por que não existe uma regra universal para “quantos ganchos por módulo”. A quantidade e o espaçamento dos pontos de fixação dependem de fatores como a região geográfica, a altura da edificação, a geometria do telhado e a resistência da ligação com o madeiramento. Priorizar a economia de material, reduzindo os pontos de fixação, é uma decisão de alto risco que pode preceder sinistros.
A Estrutura Ideal para Telhados Coloniais e a Importância da Ficha Técnica
Uma estrutura de fixação de qualidade para telhados coloniais deve ser adaptável à variabilidade de perfis de telha, alturas de onda e inclinações, além de considerar o espaçamento irregular dos caibros. A empresa Pratyc, por exemplo, desenvolveu uma linha que inclui base fixada diretamente no madeiramento e um gancho Z com regulagem de altura, que absorve as diferenças entre os perfis das telhas, além de travamento com parafuso M8 francês para evitar deslocamentos.
A compatibilidade dos materiais também é vital. O contato direto entre perfil de alumínio e fixadores de aço sem tratamento adequado pode levar à corrosão galvânica, um problema grave, especialmente em regiões litorâneas. Portanto, a melhor estrutura é aquela que oferece regulagem de altura no gancho, ancoragem eficaz no madeiramento, dimensionamento declarado para vento conforme a NBR 6123 e compatibilidade entre alumínio e fixadores. É imprescindível que a ficha técnica do fornecedor detalhe a velocidade de vento suportada e o espaçamento máximo entre os pontos de fixação, informações cruciais para a responsabilidade do integrador.
Seguro e Gestão de Risco no Pós-Venda
Reconhecendo os riscos inerentes à fase de instalação e pós-montagem, empresas como a Pratyc têm inovado, incluindo um seguro automático em seus kits para telhados, o Seguro Pratyc. Com cobertura de 90 dias a partir da emissão da nota fiscal e limite de até R$ 20 mil por estrutura, ele protege os bens do cliente contra danos durante e após a instalação, com uma franquia de 20%.
Esse seguro abrange sinistros comuns no período crítico da obra, como quebra de telhas durante o tráfego da equipe, infiltrações descobertas na primeira chuva ou danos ao patrimônio do cliente. Embora não substitua uma especificação e dimensionamento corretos – afinal, falhas por ganchos sem regulagem costumam surgir após esse prazo e não são cobertas por apólice de projeto mal dimensionado – ele alivia o integrador do risco financeiro imediato. A escolha da estrutura de fixação, portanto, transcende a engenharia; é uma estratégia fundamental de gestão de risco comercial, que impacta diretamente a reputação e o sucesso no mercado de energia limpa e sustentável.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Planejamento Energético: Desafios do Aumento da Oferta e Restrições no SIN
· Geração
LEIA MAIS
Estudo aponta que 38% das áreas habitadas na Amazônia sofreram com seca severa
· Geração
LEIA MAIS
Aneel retoma operação de usinas e cancela autorização para projetos solares no Rio de Janeiro
· Geração
LEIA MAIS














