Mato Grosso e Mato Grosso do Sul lideram a expansão da energia solar no Centro-Oeste, consolidando a região como polo crucial na geração distribuída brasileira.
A região Centro-Oeste emergiu como um epicentro de crescimento para a energia fotovoltaica no Brasil. Dados recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de importantes entidades do setor elétrico evidenciam a performance notável de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que registram números impressionantes em termos de potência instalada e volume de conexões, solidificando a área como estratégica nas discussões sobre energia limpa.
Este avanço reflete a crescente adesão de consumidores à geração própria de energia, principalmente em ambientes residenciais, impulsionando a necessidade de debates sobre infraestrutura e inovação. A região não apenas acompanha o ritmo nacional, mas também dita tendências, com cidades e estados superando metrópoles em volume de energia solar gerada.
Mato Grosso e a Marca de 239 Mil Sistemas
Um levantamento detalhado, conduzido pela Solfácil com base em informações da Aneel, revela que Mato Grosso superou a significativa marca de 239 mil sistemas de energia solar em operação. Este feito posiciona o estado na sexta colocação nacional no ranking de geração distribuída. Somente nos últimos 12 meses, foram adicionadas cerca de 48 mil novas instalações, demonstrando um vigoroso ritmo de expansão.
A performance de Mato Grosso insere-se no cenário nacional, onde o Brasil já contabilizava 4,439 milhões de sistemas de geração distribuída até maio de 2026, com quase 300 mil novas conexões apenas nos primeiros cinco meses do ano. No país, o setor residencial continua sendo o principal impulsionador, responsável por 84% das instalações, seguido pelas propriedades rurais (6%), estabelecimentos comerciais (5%) e uma combinação de indústrias e órgãos públicos (5%).
Campo Grande e Mato Grosso do Sul: Destaque em Potência
No Mato Grosso do Sul, os indicadores do setor também apontam para uma trajetória de crescimento expressivo. A capital, Campo Grande, consolidou sua posição entre as três principais capitais brasileiras em potência instalada de Geração Distribuída Fotovoltaica (GDFV), atingindo 482 MW. A cidade se alinha a Cuiabá (MT), com 494,4 MW, e Brasília (DF), com 580,5 MW, superando centros urbanos de maior porte como Rio de Janeiro (372,6 MW) e São Paulo (216 MW).
Em âmbito estadual, Mato Grosso do Sul figura na décima posição nacional em GDFV, com impressionantes 1.844,5 MW de potência solar instalada, representando 3,8% do total do país. Além disso, na modalidade de Geração Centralizada (GC), que inclui usinas e grandes parques conectados diretamente à rede de transmissão, o estado ocupa a nona colocação nacional, somando 2.550,2 MW, com uma parte já em operação, outra em construção e uma parcela significativa em projetos futuros. Nacionalmente, a fonte solar já responde por 26,4% da matriz elétrica brasileira, totalizando 70.338 MW.
Desafios Operacionais e o Futuro da Geração Distribuída
O ritmo acelerado de expansão da energia solar, embora positivo, impõe desafios à infraestrutura elétrica existente. Um relatório recente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou que Mato Grosso do Sul já experimenta períodos de saldo exportador de energia e a chamada “carga líquida negativa” durante o dia. Isso significa que, em certos momentos, a geração distribuída local ultrapassa o consumo das redes de distribuição.
Este cenário indica um potencial risco de restrições operacionais ou até mesmo interrupções na produção, caso as obras de ampliação e modernização das redes de transmissão e distribuição não acompanhem o rápido aumento da demanda e da oferta de energia solar.
Campo Grande Sediará o Fórum GD Centro-Oeste
Em resposta a essas transformações e desafios técnicos, Campo Grande será palco da 32ª Edição do Fórum Regional de Geração Distribuída (GD) Centro-Oeste, programado para os dias 17 e 18 de setembro de 2026. Organizado pelo Grupo FRG Mídias & Eventos na sede do Crea-MS, o evento reunirá especialistas, integradores e lideranças do setor para discutir soluções inovadoras, como os sistemas de armazenamento de energia (BESS), o desenvolvimento de microrredes, novos modelos de negócios e as diretrizes regulatórias futuras.
A programação do Fórum abordará temas cruciais, incluindo as oportunidades da GD para o agronegócio, estratégias de eficiência energética, soluções para a estabilização da rede elétrica e os avanços na transição energética na região do Centro-Oeste.
A liderança de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul na expansão da energia solar demonstra o enorme potencial do Centro-Oeste para impulsionar a transição energética brasileira. Contudo, para sustentar esse crescimento e garantir a segurança e a estabilidade do sistema, é fundamental que investimentos em infraestrutura e debates estratégicos, como os do Fórum GD Centro-Oeste, continuem a nortear o desenvolvimento do setor, transformando os desafios em oportunidades para um futuro mais sustentável e energicamente independente.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Transição energética pode impulsionar consumo de alumínio
· Energia Renovável
LEIA MAIS
SNEL11 capta R$1 bilhão, planeja triplicar capacidade instalada em GD Solar para 400 MWp
· Negócios
LEIA MAIS
Brasil precisa decidir quanto gastar na proteção da rede elétrica contra eventos extremos
· Distribuição
LEIA MAIS














