A expansão de data centers no Brasil surge como solução estratégica para a Taesa, prometendo equilibrar a rede elétrica e impulsionar a integração de energia renovável, especialmente em regiões com grande potencial de geração.
A Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica) visualiza a crescente demanda por infraestrutura de data centers no Brasil como um fator crucial para a sustentabilidade energética e o aprimoramento da rede elétrica nacional. A companhia avalia que a instalação desses centros de processamento de dados pode mitigar o desequilíbrio entre a oferta abundante de energia limpa, proveniente de fontes como a eólica e solar, e os centros de consumo, que muitas vezes estão distantes dessas fontes de geração.
Essa perspectiva é particularmente relevante em um cenário onde a matriz energética brasileira avança rapidamente para a geração renovável em regiões mais afastadas. A chegada de grandes consumidores, como os data centers, representa uma oportunidade singular para otimizar o fluxo de energia e garantir maior estabilidade ao sistema de transmissão de energia, conectando a produção à demanda de forma mais eficiente.
Estratégia para o Equilíbrio Energético
O Brasil enfrenta um desafio de balanceamento onde a produção de energia elétrica muitas vezes supera ou não se alinha ao consumo em determinadas localidades. Para Maurício Dall’Agnese, diretor de Negócios e Gestão de Participações da Taesa, a adição de novas cargas, como a dos data centers, é extremamente benéfica.
Hoje, existe um desbalanceamento entre a energia que está sendo gerada e a energia que está sendo consumida. Então, adicionar novos consumidores, novas cargas, tende a ser muito bom. É uma forma de você trazer consumo para perto de onde existe geração e, com isso, melhorar o equilíbrio do sistema.
Afirmou Dall’Agnese durante evento em Assis, no interior de São Paulo.
Data Centers e o Potencial do Nordeste
A expansão desses centros de processamento de dados oferece uma alternativa viável para aproximar o consumo dos locais de maior disponibilidade de geração renovável. A Taesa destaca, em particular, o imenso potencial das regiões Norte e Nordeste, que são grandes polos de energia eólica e energia solar. Essa aproximação pode ser um divisor de águas para a infraestrutura de data centers no país.
Isso pode levar à instalação de data centers, por exemplo, na região Nordeste, onde a gente tem justamente a geração eólica e solar e talvez contribuir para diminuir esse desbalanceamento entre geração e carga. Então, a gente vê com bons olhos essa possibilidade.
Complementou Dall’Agnese, ressaltando o alinhamento com a transição energética.
Incentivos Fiscais e a Lei do Redata
A sinergia entre data centers e energia limpa ganhou um impulso significativo com a recente aprovação do projeto de lei que institui o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) pelo Senado Federal, aguardando agora a sanção presidencial. Este regime prevê incentivos fiscais para empresas que investirem na instalação ou expansão dessas estruturas no Brasil.
Um dos requisitos fundamentais do Redata é que 100% da demanda elétrica dos empreendimentos beneficiados seja suprida por fontes renováveis ou de baixa emissão. Essa medida não apenas fomenta a digitalização, mas também solidifica o compromisso do setor de infraestrutura de data center com a sustentabilidade e a descarbonização.
Flexibilidade para a Inteligência Artificial
A Taesa percebe que data centers dedicados à inteligência artificial possuem uma flexibilidade de localização maior do que aqueles focados em serviços de nuvem ou armazenamento de dados, que usualmente exigem proximidade aos grandes centros urbanos. Essa característica abre portas para que data centers de inteligência artificial sejam instalados em áreas mais remotas, ricas em geração eólica e solar.
Os data centers de inteligência artificial podem ser descentralizados. Diferentemente de um data center de cloud ou de armazenamento, que normalmente fica perto dos grandes centros, você pode colocar um data center de inteligência artificial no Nordeste, onde tem geração eólica e solar, e talvez contribuir para diminuir esse desbalanceamento entre geração e carga.
Explicou Maurício Dall’Agnese, destacando a importância da tecnologia verde para a rede elétrica.
A Abrangência da Taesa na Transmissão
A Taesa, com sua extensa rede de 16.600 km de linhas de transmissão de energia distribuídas em 19 unidades da Federação, desde o Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) até o Nordeste (Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte), está estrategicamente posicionada para suportar essa nova demanda. Sua capilaridade é fundamental para integrar os futuros data centers à matriz energética brasileira.
A convergência entre a expansão da infraestrutura de data centers e o avanço da energia renovável, potencializada por incentivos fiscais e pela flexibilidade tecnológica da inteligência artificial, representa um marco para o setor elétrico brasileiro. A Taesa desempenha um papel vital nessa transformação, facilitando o equilíbrio da rede elétrica e solidificando o Brasil como um hub de energia limpa.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Brasil precisa decidir quanto gastar na proteção da rede elétrica contra eventos extremos
· Distribuição
LEIA MAIS
TBEA lança inverters de alta potência e sistemas de armazenamento para projetos de grande escala
· Mercado
LEIA MAIS
Matrix transfere cinco usinas solares à Energisa enquanto reestrutura financeira
· Mercado
LEIA MAIS














