Os planos de governo para 2026 divergem drasticamente quanto ao protagonismo da Petrobras no setor energético, revelando estratégias opostas entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.
A corrida eleitoral de 2026 trouxe à tona visões distintas sobre o papel do Estado na economia. Ao oficializar sua candidatura no TSE, o senador Flávio Bolsonaro apresentou um programa que ignora a existência da Petrobras.
Em contraste, o plano de reeleição do presidente Lula coloca a estatal no centro de seu projeto, mencionando a companhia 11 vezes apenas no capítulo dedicado à energia.
Essa ausência de menções no plano de Flávio Bolsonaro não significa, contudo, uma defesa explícita de privatização imediata, mas aponta para uma diretriz de reduzir a influência estatal.
O documento sugere que o país deve buscar um modelo onde o Estado se afaste da função empresarial, prometendo retomar o Programa Nacional de Desestatização.
Visões opostas para o gás e o refino
O programa de Flávio Bolsonaro dedica foco especial ao setor de gás, propondo dar sequência à Nova Lei do Gás de 2021. O senador aposta na atração de investimentos privados e na ampliação da infraestrutura de escoamento.
Um ponto controverso no texto é a defesa do fracking (fraturamento hidráulico), técnica que, embora prometa maior produtividade, enfrenta intensos questionamentos por seus riscos de contaminação ambiental e impactos geológicos.
Por outro lado, o plano de Lula reforça a atuação da Petrobras como indutora do desenvolvimento. O petista defende o retorno da estatal ao setor de distribuição de combustíveis e a expansão de suas atividades em logística de GNL.
Segundo o documento, o petista afirmou:
A nova política de preços adotada pela empresa foi determinante para mitigar a volatilidade do mercado internacional, especialmente em relação ao diesel e à gasolina.
Pontos de convergência
Apesar das disparidades ideológicas, ambos os candidatos identificam a produção de fertilizantes como um setor estratégico para garantir a soberania nacional e diminuir a dependência de importações.
Enquanto a proposta bolsonarista prioriza o uso de gás natural e o aproveitamento de reservas minerais, o projeto petista celebra a recente reativação de três plantas de fertilizantes da própria Petrobras.
O debate reflete uma escolha clara para o eleitorado: de um lado, a aposta em um modelo pautado pelo liberalismo e pela participação do capital privado; de outro, a manutenção do papel centralizador de uma empresa estatal na transição energética e na infraestrutura básica do Brasil.























