Um tesouro público subutilizado representa um dreno financeiro contínuo, enquanto soluções inovadoras são debatidas.
O Brasil enfrenta um paradoxo alarmante no que diz respeito ao seu patrimônio imobiliário. Enquanto o governo desembolsa valores significativos para locação de espaços privados, um vasto acervo de imóveis públicos, avaliado em R$ 12 trilhões, permanece ocioso.
Essa ineficiência não apenas representa um desperdício de recursos, mas também acarreta custos recorrentes com manutenção, segurança e despesas condominiais, sobrecarregando os cofres públicos.
A problemática foi colocada em destaque durante o CIMI360, o Congresso Internacional do Mercado Imobiliário. Especialistas e gestores reunidos no evento apontaram que a inatividade desses bens públicos configura uma perda de oportunidades urbanísticas e econômicas.
A gestão desses ativos, que abrange a União, estados e municípios, está sob escrutínio, com propostas que vão desde a alienação e venda até concessões e parcerias público-privadas, sempre em conformidade com a legislação fiscal.
Soluções e novas perspectivas para o patrimônio ocioso
Heitor Kuser, CEO e idealizador do CIMI360, ressaltou a urgência em reverter esse cenário:
O país paga para não utilizar o que já lhe pertence. Cada imóvel sem uso é uma chance perdida de desenvolvimento e otimização urbana.
Ele defende que, além da exploração econômica direta, os imóveis públicos desocupados poderiam servir como resposta a situações emergenciais, como abrigos temporários, inspirando-se em iniciativas bem-sucedidas em Portugal, como as implementadas em Coimbra.
A prefeita de Coimbra, Ana Abrunhosa, uma referência nesse tipo de gestão, confirmou presença no congresso, que ocorrerá no Riocentro, no Rio de Janeiro, nos dias 27 e 28 de agosto de 2026.
O evento promete ser um polo de discussões sobre o futuro do mercado imobiliário, com foco em quatro eixos centrais: Imóveis Públicos, Distressed Asset, Consórcios e Tokenização Imobiliária, além de sediar o XI Congreso Inmobiliario Latinoamericano (CILA).
A expectativa é que o CIMI360 reúna mais de 10 mil profissionais de cerca de 40 países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos e soluções.
Entre os palestrantes confirmados estão nomes de peso internacional, como Lily Chang, presidente mundial da FIABCI; Luca Bertalot, secretário-geral da EMF-ECBC; e Jean-Côme d’Almeida, diretor comercial do MIPIM e MAPIC. Pepe Gutiérrez, especialista em Inteligência Artificial, também compartilhará sua visão sobre o impacto da tecnologia no setor.
Este encontro representa uma oportunidade crucial para o Brasil debater e implementar estratégias eficazes na gestão de seu vasto patrimônio imobiliário público, transformando um passivo financeiro em um ativo estratégico para o desenvolvimento do país.




















