A Equatorial viu seu lucro líquido ajustado despencar 83,5% no segundo trimestre, atingindo R$ 110 milhões, em meio a crescentes despesas financeiras e provisões.
A Equatorial Energia divulgou nesta quinta-feira (13) um resultado financeiro desafiador para o segundo trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado da companhia somou R$ 110 milhões, uma queda expressiva de 83,5% em comparação com os R$ 668 milhões registrados no mesmo período de 2025. A performance foi impactada significativamente pelo aumento das despesas financeiras e por comparações com um ano anterior cujos resultados foram beneficiados por fatores não recorrentes.
Mesmo com a retração no lucro, a Equatorial demonstrou resiliência em sua receita operacional líquida, que apresentou um crescimento de 10,2%, alcançando R$ 13,7 bilhões. O Ebitda ajustado, um indicador importante da geração operacional de caixa, manteve-se estável, com um leve avanço de 0,8% para R$ 2,9 bilhões.
Pressões Financeiras e Operacionais Marcantes
O principal fator por trás da queda no lucro foi o resultado financeiro, que registrou uma despesa líquida ajustada de R$ 1,7 bilhão, um aumento de 31,4% na comparação anual. Esse cenário é explicado pela expansão do endividamento da companhia e pela maior incidência do IPCA sobre os passivos atrelados à inflação. Os encargos com dívidas subiram de R$ 1,6 bilhão para R$ 2,1 bilhões.
Além disso, os custos e despesas operacionais consolidados dispararam 75,2%, atingindo R$ 1,3 bilhão. Essa elevação se deve, em parte, a provisões maiores para créditos de liquidação duvidosa nas distribuidoras de Maranhão, Piauí e Goiás, bem como despesas relacionadas à Funac. É importante notar que o trimestre anterior teve uma reversão de provisões que inflou positivamente seus resultados.
Distribuição como Pilar de Suporte
Em contraponto às adversidades financeiras, o segmento de distribuição da Equatorial mostrou força. A margem bruta ajustada das concessionárias cresceu R$ 393 milhões, impulsionada principalmente pelas operações no Maranhão, Goiás e CEEE-D. A variação da tarifa fio-B e o aumento do mercado consumidor também contribuíram para este desempenho positivo.
Por outro lado, a geração renovável, através da Echoenergia, enfrentou desafios, com uma redução de R$ 69 milhões na margem bruta, influenciada pela menor geração eólica. A participação na Sabesp também impactou negativamente, com uma queda de 26,2% na equivalência patrimonial.
Endividamento e Novos Investimentos
A dívida líquida consolidada da Equatorial atingiu R$ 51,8 bilhões ao final de junho, um aumento de 15,2% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento do endividamento, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, permaneceu em 3,1 vezes.
O aumento no endividamento está diretamente ligado às estratégias de expansão da empresa, incluindo a aquisição de 30% da Copasa e captações de R$ 7,6 bilhões para financiar novas operações.
O cenário atual para a Equatorial Energia é de um balanço que mescla crescimento na receita com desafios no lucro líquido, pressionado por custos financeiros e operacionais mais elevados. A solidez das operações de distribuição continua sendo um pilar crucial, enquanto os investimentos em novas áreas começam a refletir em sua estrutura de capital.
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