A Shell negocia ativos renováveis na Europa com a TotalEnergies, enquanto o BNDES injeta até R$ 3,7 bilhões para alavancar a exportação de jatos da Embraer ao Canadá.
O setor de energia limpa passa por uma reorganização estratégica importante. A gigante do setor de óleo e gás Shell anunciou a venda de sua unidade europeia de energias renováveis para a TotalEnergies. A transação faz parte de um movimento da petroleira britânica para reestruturar seu portfólio, priorizando operações de upstream e o fortalecimento de suas atividades comerciais tradicionais em detrimento de certos ativos de baixo carbono.
De forma paralela, o cenário econômico brasileiro ganha fôlego com o apoio do BNDES à indústria de alta tecnologia. O banco de fomento aprovou um financiamento robusto para viabilizar a exportação de aeronaves da Embraer para a canadense Porter Aviation Holdings, reforçando a presença da manufatura nacional no mercado global de aviação.
Reconfiguração do mercado de energias renováveis na Europa
O acordo entre a Shell e a TotalEnergies, que deve ser concluído até o final de 2026, abrange um vasto portfólio de projetos solares, eólicos e de armazenamento em baterias. Estão incluídos cerca de 500 megawatts (MW) em ativos operacionais e outros 3,5 gigawatts (GW) em fase de desenvolvimento na Itália, Holanda, Espanha e Reino Unido. Esta movimentação reflete a estratégia da Shell de focar no fornecimento de soluções energéticas integradas para grandes clientes corporativos.
Apesar da venda, a Shell tem buscado otimizar seus resultados financeiros. Recentemente, a empresa reportou um lucro ajustado de US$ 79 milhões no segmento de renováveis durante o segundo trimestre, uma recuperação notável frente aos prejuízos registrados no mesmo período do ano anterior. Simultaneamente, a TotalEnergies segue expandindo seu domínio no setor, tendo inclusive anunciado uma parceria estratégica com a empresa de investimentos KKR para gerir parte de sua carteira de ativos europeus.
Exportação de tecnologia aeronáutica com apoio do BNDES
No setor aéreo, o BNDES reafirmou seu papel como indutor da indústria nacional ao liberar entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões para apoiar a venda de até 19 jatos modelo E195-E2 da Embraer para a Porter Airlines. A entrega dessas aeronaves de alta eficiência está prevista para ocorrer até 2030, consolidando uma parceria que já soma 54 aviões entregues desde 2023.
O apoio do BNDES às exportações da Embraer garante a manutenção do nível de produção, de emprego da indústria aeronáutica nacional e com a ampliação de mercado para uma aeronave mais tecnológica.
— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Perspectivas para o futuro da indústria
O suporte financeiro do banco estatal vai além das exportações diretas. Recentemente, o BNDES lançou uma linha de R$ 13,5 bilhões voltada para o setor aéreo brasileiro, com foco não apenas em capital de giro, mas também em investimentos cruciais em sustentabilidade. Entre os objetivos do fundo, destaca-se o apoio ao desenvolvimento e uso de combustível sustentável de aviação (SAF), infraestrutura de ponta e modernização da frota nacional.
Enquanto as petroleiras europeias ajustam suas rotas rumo à transição energética através de fusões e aquisições, a indústria brasileira de aviação segue firme na agenda de inovação e exportação de alto valor agregado. O movimento conjunto desses setores indica uma busca por maior eficiência operacional, mirando tanto a rentabilidade imediata quanto os compromissos de longo prazo com a descarbonização global.






















