El Niño pode baratear energia no ACL e atrair varejistas, diz Ludfor

El Niño pode baratear energia no ACL e atrair varejistas, diz Ludfor
El Niño pode baratear energia no ACL e atrair varejistas, diz Ludfor - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O fenômeno El Niño pode ser o gatilho para uma nova onda de migrações ao mercado livre de energia, impulsionando o setor varejista.

A expectativa de ocorrência do fenômeno El Niño tem movimentado o mercado de energia elétrica, com especialistas prevendo potenciais impactos nos preços e na dinâmica de migração de consumidores. Uma das análises mais promissoras vem do diretor comercial da Ludfor, Ezequiel Fernandes, que aponta para um cenário favorável à expansão do mercado livre de energia, especialmente para os consumidores de menor porte, conhecidos como varejistas.

A projeção se baseia na possibilidade de o El Niño fortalecer os reservatórios de água no Sudeste do país, o que, por sua vez, poderia levar a uma redução nos preços do Ambiente de Contratação Livre (ACL). Essa queda nos custos tornaria a migração para o mercado livre mais atrativa para uma parcela significativa de consumidores que, até então, permaneciam no mercado regulado devido a preços menos competitivos.

Impacto do El Niño nos preços e migrações

A visão de Fernandes é que, caso as chuvas se mostrem mais abundantes e persistentes, e a próxima estação úmida, que se inicia em novembro, encontre os reservatórios em melhor condição, os preços no ACL poderiam voltar a patamares mais convidativos já no início de 2027. Esse movimento seria crucial para reverter a tendência de desaceleração observada nas migrações para o mercado livre nos últimos trimestres.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) registrou uma diminuição no número de migrações no primeiro trimestre de 2026, um dado que contrasta com o forte crescimento observado em 2024, ano em que a abertura total para consumidores de alta tensão impulsionou a adesão ao mercado livre, beneficiado por preços médios mais baixos. A participação dos varejistas nessas migrações tem se mantido elevada, refletindo a saturação de grandes consumidores no mercado.

“Se nós continuarmos tendo um volume de chuvas mais significativo por um período mais longo e abrirmos a próxima janela do período úmido, a partir de novembro desse ano, numa situação de armazenamento um pouco mais favorável, nós enxergamos que a partir do início do ano que vem a gente pode novamente ter patamares de preços um pouco mais atrativos”, afirma Fernandes.

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Projeções e estratégias para o futuro

Apesar do otimismo quanto a uma futura queda nos preços, Fernandes pondera que os valores dificilmente retornarão aos níveis excepcionalmente baixos de 2024. Naquele ano, a combinação de reservatórios cheios, menor impacto de fontes renováveis intermitentes e consequente redução no uso de térmicas, mais caras, criou um cenário atípico.

No entanto, a perspectiva de longo prazo indica uma tendência de queda nos preços do mercado livre. A Ludfor, que tem expandido sua atuação em geração própria e comercialização varejista, tem focado em oferecer contratos de longo prazo para proteger seus clientes da volatilidade. A empresa também aconselha a exploração de janelas de preços baixos para contratações parciais e a consideração de autoprodução e armazenamento para consumidores eletrointensivos.

Resiliência do varejo de energia

Um ponto relevante levantado por Fernandes é a resiliência dos consumidores varejistas frente ao recente aumento de preços. Isso se deve, em grande parte, à duração dos contratos de fornecimento, que geralmente se estendem por quatro a cinco anos. Clientes que migraram em 2024 ainda se beneficiam de negociações anteriores. Além disso, a crise que afetou algumas comercializadoras se concentrou no mercado atacadista, poupando as varejistas devido à pulverização do risco em seus modelos de negócio.

No entanto, o setor de varejo de energia tem enfrentado seus próprios desafios, com a inabilitação de empresas como a 2W Varejista, Flash Energy e Boven pela CCEE em 2026, devido a dificuldades financeiras e não pagamento de débitos. Esses eventos forçam os consumidores a buscarem novos fornecedores ou a aderirem diretamente à CCEE, reforçando a necessidade de planejamento e análise cuidadosa no mercado livre de energia.

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