A busca por eficiência impulsiona adesão ao mercado livre de energia entre indústrias brasileiras.
O cenário energético brasileiro tem testemunhado uma transformação significativa com a expansão do mercado livre. Dois anos após a liberação do acesso para consumidores de alta tensão, um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 41% das indústrias já aderiram ao ambiente de contratação livre (ACL). A pesquisa, realizada em abril de 2026 com quase 1.500 empresas dos setores extrativo e de transformação, destaca a energia elétrica como um pilar fundamental para a competitividade industrial.
A migração para o mercado livre tem sido motivada, primordialmente, pela busca por redução de custos. Para 83% dos entrevistados, o preço da energia é um fator decisivo na competitividade de seus negócios, e 67% sentem o impacto direto do aumento das tarifas na produção. Dentre as empresas que já realizaram a transição, 73% relatam uma diminuição expressiva em seus gastos com eletricidade.
Indústrias de alta tensão lideram migração
Os dados da Sondagem Especial Indústria e Energia 2026 da CNI indicam que a adesão varia conforme o porte da empresa. Entre as grandes indústrias que operam em alta tensão, o número de adeptas ao mercado livre atinge 63%. Já nas pequenas empresas, esse índice é de 22%, com 45% ainda no mercado cativo. O estudo também aponta um interesse crescente entre empresas de baixa tensão: 37% demonstraram vontade de migrar para o ACL.
A energia elétrica figura como o principal insumo energético para 79% das companhias industriais, o que sublinha a importância estratégica de otimizar seu custo. Nos últimos 12 meses, 62% das indústrias sentiram os efeitos da volatilidade dos preços da energia, com variações significativas nas tarifas.
Estratégias de redução de custos e a força do mercado livre
A migração para o mercado livre se consolida como a estratégia mais adotada para conter despesas com energia, sendo citada por 30% das empresas que buscam essa otimização. Outras iniciativas como a autogeração (13%) e ações de eficiência energética (13%) também ganham espaço. O setor calçadista se destaca, com 47% de suas empresas já atuando no ambiente de contratação livre.
Roberto Wagner Pereira, gerente de Energia da CNI, ressalta que os resultados evidenciam o papel central do mercado livre na redução de custos e, consequentemente, no impulsionamento da competitividade industrial. Ele também defende a necessidade de ajustes na estrutura tarifária e a revisão de subsídios para um cenário energético mais equitativo e previsível. A pesquisa sugere que a abertura e a expansão do mercado livre continuarão a moldar o setor, atraindo cada vez mais empresas em busca de eficiência e economia.























