Axia mira data centers e busca adesão à Pnast para atender nova demanda energética.
O setor de energia no Brasil se prepara para um novo ciclo de crescimento impulsionado pela expansão dos data centers e pela demanda crescente da inteligência artificial. Nesse cenário, a Axia Energia, antiga Eletrobras, sinaliza seu interesse em desempenhar um papel fundamental, visando a conexão de grandes consumidores ao sistema elétrico nacional. A empresa já está ativamente buscando projetos e estabelecendo parcerias estratégicas para concretizar essa expansão.
O diretor de Regulação da Axia Energia, Luiz Laércio, destacou em painel do evento Aquecimento do MinutoMega Talks que a companhia já possui um pipeline de projetos voltados para o mercado de data centers. Ele ressaltou o interesse em atrair investidores para a instalação de centros de processamento de dados no país, mencionando iniciativas já em andamento, como pedidos de conexão em Campinas. A estratégia da empresa envolve a participação nas próximas temporadas de acesso à Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast).
Pnast como Ferramenta Estratégica
A Pnast é vista pela Axia Energia como um mecanismo essencial para viabilizar a chegada de novas e volumosas cargas ao sistema elétrico. Ao antecipar investimentos em transmissão, a política permite que grandes consumidores, como os data centers, sejam conectados de forma mais eficiente. A expectativa é que a empresa atue como parceira estratégica desses empreendimentos, fortalecendo sua posição no mercado.
As janelas para participação na Pnast são limitadas. A primeira temporada de acesso de 2026 se encerra em 15 de junho, com a próxima oportunidade apenas em 2027. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem a previsão de realizar ao menos duas temporadas anuais, garantindo fluxo contínuo para novos projetos.
Investimentos e Desafios Operacionais
A estratégia da Axia Energia está alinhada a um plano robusto de investimentos. A companhia destinou cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e planeja desembolsar entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões nos próximos dois anos, focando na modernização de seus ativos de geração e transmissão. Um exemplo é o programa de revitalização da hidrelétrica de Tucuruí, que receberá R$ 1 bilhão.
Paralelamente, o setor elétrico enfrenta desafios crescentes com a expansão das fontes intermitentes, como solar e eólica. A maior participação dessas fontes demanda maior flexibilidade das usinas hidrelétricas e termelétricas, elevando o desgaste dos equipamentos. A Axia Energia, através de estudos encaminhados ao Ministério de Minas e Energia (MME), busca alertar sobre os impactos operacionais e a necessidade de uma agenda regulatória focada na confiabilidade do sistema.
A intensificação do sinal de preço da energia também é vista como crucial para orientar decisões de investimento e refletir as reais necessidades do sistema elétrico, incentivando a adoção de mecanismos que valorizem a flexibilidade e a resposta rápida à demanda.






















