Entidades do setor de energia limpa enviaram uma carta aos presidenciáveis exigindo compromissos concretos com a transição energética e o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis no Brasil.
Um grupo robusto composto por mais de 20 organizações de peso do segmento de energias renováveis se uniu para colocar o tema da sustentabilidade no centro do debate eleitoral de 2026. Em um documento conjunto, o setor cobra dos futuros candidatos ao Palácio do Planalto a definição de diretrizes transparentes e eficazes para reduzir a dependência nacional de fontes fósseis.
O alerta principal é estratégico: o Brasil corre o risco de desperdiçar sua posição de liderança global e perder competitividade em mercados emergentes, como o de hidrogênio verde, eólica offshore e a nova onda de eletrificação industrial. O setor argumenta que, sem um norte claro, o país pode ficar atrás de potências que já aceleram seus aportes na economia de baixo carbono.
A contradição nos investimentos federais
A grande queixa das entidades reside no atual desenho das políticas públicas de financiamento. Embora o Brasil ostente uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo — ultrapassando a marca de 90% de renováveis em 2025 —, a divisão de verbas reflete um cenário oposto. Segundo o documento, o governo federal destinou R$ 47 bilhões para apoiar combustíveis poluentes em 2024, enquanto o incentivo para fontes limpas não superou R$ 18,65 bilhões.
O setor ressalta que essa disparidade é, no mínimo, um contrassenso diante do alto retorno socioeconômico da economia verde. De acordo com os dados apresentados, a indústria de energia renovável movimentou cerca de US$ 38 bilhões em investimentos e gerou um milhão de empregos apenas no último ano, consolidando-se como um pilar essencial para o desenvolvimento nacional.
Gargalos para o crescimento do setor
Para que o Brasil se torne um protagonista no cenário de descarbonização e atenda à crescente demanda por energia — impulsionada pela expansão de data centers voltados à inteligência artificial —, a regulação precisa avançar. As organizações apontam que o capital está disponível, mas esbarra em entraves sistêmicos que travam a execução de projetos ambiciosos.
Entre os problemas identificados estão a carência de linhas de transmissão adequadas, a falta de marcos regulatórios específicos para o armazenamento de energia e uma desconexão entre as políticas de energia, indústria e comércio exterior.
“É fundamental que o próximo governo integre políticas públicas para que possamos liderar a produção global de fertilizantes verdes e produtos de baixa emissão,” defendem as entidades em nota.
Propostas para a agenda eleitoral
O documento, que reúne nomes de peso como a ABEEólica, ABSOLAR, ABIHV e a Global Renewables Alliance (GRA), apresenta medidas práticas para ajustar o curso do país. Entre as principais exigências estão o fim da expansão de subsídios a fontes fósseis, a modernização tarifária e uma política agressiva de eletrificação industrial.
A expectativa é que essas propostas sejam entregues formalmente aos candidatos assim que os nomes forem oficializados nas convenções partidárias, previstas para ocorrer entre o final de julho e agosto. Com nenhum plano de governo detalhado apresentado até o momento, a carta serve como uma convocação urgente para que os presidenciáveis tratem a transição energética não apenas como pauta ambiental, mas como um projeto central de soberania e desenvolvimento econômico para o Brasil.























