Atletas Mundiais Alertam para Riscos Climáticos na Copa do Mundo

Atletas Mundiais Alertam para Riscos Climáticos na Copa do Mundo
Atletas Mundiais Alertam para Riscos Climáticos na Copa do Mundo | Reprodução: Freepik / Pixabay
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Atletas e cientistas alertam para riscos climáticos na próxima Copa do Mundo, exigindo novos protocolos de calor e o fim de patrocínios de combustíveis fósseis enquanto um quarto dos jogos pode enfrentar condições extremas e o El Niño intensifica as preocupações.

A maior edição da Copa do Mundo da FIFA, programada para 2026 com 48 seleções em três nações – Canadá, Estados Unidos e México – promete ser um evento grandioso, mas também o mais desafiador em termos de impacto ambiental e exposição aos efeitos da crise climática. O torneio, que já se projeta como o mais poluente da história do futebol, enfrenta agora uma preocupação crescente com a saúde e segurança dos atletas e torcedores devido às altas temperaturas.

Uma análise recente do World Weather Attribution (WWA) revela um cenário preocupante: estima-se que 24% dos jogos ocorrerão sob condições de calor extremo. Essa projeção, literalmente, traz a mudança climática para o centro do campo, impactando diretamente o desempenho e bem-estar dos participantes.

Preocupações Climáticas e a Saúde dos Atletas

A comunidade global do futebol está em alerta. Com cidades como Miami, Dallas e Houston marcadas para sediar partidas durante o verão, a preocupação se intensifica, especialmente com a alta probabilidade (82%) de ocorrência do fenômeno El Niño entre maio e julho de 2026. Este cenário climático pode agravar significativamente as temperaturas já elevadas, tornando as condições de jogo ainda mais desafiadoras.

Em resposta a essas preocupações, jogadores de diversos clubes e seleções ao redor do mundo uniram forças para enviar uma carta aberta à FIFA.

O documento enfatiza que “as temperaturas crescentes impulsionadas pela crise climática já estão afetando a segurança, o desempenho físico e o bem-estar mental dos atletas”. Nomes como o norueguês Morten Thorsby, a capitã italiana Elena Linari e o jogador do Ipswich Town Chuba Akpom, entre outros de mais de 20 países, assinaram a manifestação.

Demandas Urgentes: Protocolos e Patrocínios

As principais exigências dos atletas incluem a atualização urgente dos protocolos de estresse térmico da FIFA antes do início do torneio e o abandono de patrocinadores do setor de combustíveis fósseis. A carta reforça os apelos de especialistas em medicina esportiva e cientistas, que consideram os limites atuais de segurança térmica da FIFA inadequados para condições extremas.

Cientistas recomendam a redução do limiar de intervenção de 32°C para 26°C de Temperatura de Globo Úmido (WBGT) – um índice que combina temperatura, umidade e radiação solar. Sugerem também o adiamento de partidas quando o WBGT ultrapassar 28°C. Os atletas endossam essas recomendações, sublinhando a necessidade de aplicação prática. Os impactos do estresse térmico – tontura, fadiga, cãibras e queda no desempenho – são uma realidade para os jogadores, que já enfrentam um calendário de jogos sobrecarregado.

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Como afirmou Jimmy Keohane, do Galway United, “No calor do momento, você não vai decidir parar. Você espera que os organizadores do jogo te protejam.”

Copa do Mundo sob o Risco Climático

Entre as cidades-sede, Miami se destaca como a mais vulnerável aos riscos climáticos, com a seleção brasileira potencialmente afetada, já que seu jogo contra a Escócia está previsto para lá. Kansas City, Dallas e Houston também figuram na lista de preocupações. Em Nova Jersey, palco da final, o risco de interrupção por calor extremo aumentou em cerca de 50% em comparação com a edição de 1994.

Projeções indicam que a partida entre Holanda e Tunísia, por exemplo, tem 7% de chance de exceder 28°C de WBGT, um patamar que justificaria um possível adiamento. O El Niño, com 96% de probabilidade de persistir até o inverno do hemisfério norte, pode intensificar o problema, contribuindo para noites mais quentes, maior umidade e estresse térmico. Além do calor, junho e julho nos EUA e Canadá são períodos críticos para incêndios florestais, com a fumaça podendo comprometer a qualidade do ar em várias cidades-sede.

A Controvérsia dos Patrocínios de Combustíveis Fósseis

Para os jogadores, a luta contra o calor extremo e a exigência de responsabilidade climática são inseparáveis. A Copa do Mundo de 2026 será patrocinada pela Aramco, gigante petrolífera saudita, em um acordo de US$ 400 milhões que se estende até a Copa do Mundo Feminina de 2027. Essa parceria, vista como um compromisso com os combustíveis fósseis, gerou forte crítica.

David Wheeler, ex-jogador do Wycombe Wanderers, afirmou que essa relação “compromete a capacidade do mundial proteger os jogadores”.

Elena Linari foi ainda mais enfática: “O futebol deve estar ao lado das pessoas, dos jogadores e dos torcedores. Pedimos à FIFA que abandone seu patrocinador do setor de petróleo.

A expansão para 48 seleções e a realização em três países elevam a pegada de carbono do evento, com mais viagens e deslocamentos.

Os jogadores enfatizam que “seria uma oportunidade perdida se um esporte tão afetado pela crise climática não assumisse sua responsabilidade em enfrentá-la”.

O apelo por um calendário mais enxuto e regionalizado acompanha a demanda pelo fim dos patrocínios de combustíveis fósseis, buscando aliviar a pressão sobre o planeta e os próprios atletas. O recado é claro: as mudanças climáticas já impactam o campo de jogo. A FIFA agora precisa decidir de que lado jogará.

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