O governo federal reafirma o cronograma para concessões de hidrovias na região Norte, mantendo os leilões para 2027 e buscando conciliar o escoamento agrícola com o diálogo socioambiental.
O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou a manutenção do plano estratégico para as concessões de hidrovias na região Norte do Brasil. Mesmo diante de revogações pontuais em estudos ambientais e da pressão de lideranças indígenas, o governo mantém o cronograma de leilões para o primeiro semestre de 2027, com o lançamento dos editais previsto para a segunda metade de 2026. A medida abrange importantes eixos logísticos, incluindo os rios Amazonas, Tocantins e Madeira.
Durante as celebrações de dois anos da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, o ministro Tomé Franca ressaltou que o avanço do setor depende de um esforço conjunto que priorize a comunicação clara. Segundo o ministro, existe uma necessidade urgente de construir uma percepção pública de que o modal hidroviário é sinônimo de sustentabilidade e prosperidade econômica para o país.
Diálogo como chave para a infraestrutura sustentável
O cenário atual exige sensibilidade do governo, especialmente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter revogado, em fevereiro, o decreto que autorizava estudos no rio Tapajós, em resposta a mobilizações de povos originários. Contudo, o secretário nacional Otto Burlier garantiu que os processos de amadurecimento dos projetos seguem em curso, sem interrupções técnicas definitivas.
“Mais que resiliência e união, precisa de diálogo.”
O plano do governo foca em conceder à iniciativa privada a responsabilidade pela dragagem, derrocagem e sinalização dos rios. Um ponto central da política de concessões é a isenção de tarifas para populações ribeirinhas e o transporte de passageiros, garantindo que o custo da operação recaia exclusivamente sobre as empresas de transporte de cargas.
Impacto econômico e o desafio da matriz logística
A dependência do modal rodoviário, que concentra cerca de 65% do escoamento de cargas no país, gera ineficiências severas. De acordo com dados apresentados pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), o transporte por rodovias chega a ser 45% mais caro que o hidroviário. A necessidade de migrar para uma matriz mais equilibrada é evidente, dado que o transporte aquaviário viu sua participação cair drasticamente de 31% para 15% nas últimas décadas.
Para impulsionar essa transição, o MoveInfra — coalizão que reúne gigantes como Hidrovias do Brasil e Rumo — anunciou uma parceria com a consultoria Garín Partners. O objetivo é realizar um mapeamento detalhado de gargalos em sete sistemas hidroviários. A expectativa é que esse estudo, previsto para agosto de 2026, ofereça um norte estratégico para as próximas três décadas, garantindo a previsibilidade necessária para que o transporte de cargas em períodos de seca deixe de ser um entrave para o agronegócio brasileiro.























