Lixo eletrônico vale ouro, e o mundo continua jogando fora

Lixo eletrônico vale ouro, e o mundo continua jogando fora
Lixo eletrônico vale ouro, e o mundo continua jogando fora - Foto: Crédito Foto: Unsplash
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O mundo está menos circular e o lixo eletrônico, que vale ouro, continua sendo descartado. Especialistas alertam para a urgência de modelos sustentáveis.

O recente Dia Mundial da Reciclagem trouxe um alerta sombrio: a circularidade na economia global está em declínio. Pelo segundo ano consecutivo, a taxa de aproveitamento de materiais recuou, saindo de 7,2% para 6,9%, conforme revela o Circularity Gap Report 2026. Isso significa que menos de 7% de tudo que é extraído, processado e consumido no planeta retorna ao ciclo produtivo. O restante é descartado permanentemente, resultando em perdas financeiras astronômicas, estimadas em mais de 25 trilhões de euros anualmente.

O setor de eletroeletrônicos agrava essa situação. Equipamentos como smartphones e computadores contêm metais raros e componentes valiosos. Sem uma infraestrutura de reciclagem robusta, esses materiais são perdidos para sempre, contaminando o meio ambiente e desperdiçando recursos preciosos que poderiam ser reintegrados à produção. É neste cenário desafiador que iniciativas como a da Circular Brain, parte do ecossistema Circulare, buscam reverter essa tendência. Desde 2021, a empresa já recuperou quase 20 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos, atuando em mais de 5.500 municípios brasileiros.

Uma economia linear que desperdiça valor

Marcus Oliveira, CEO e fundador da Circular Brain, destaca que a queda na circularidade é um reflexo da dificuldade das iniciativas globais de reciclagem em acompanhar o ritmo acelerado do consumo. A economia linear, baseada no modelo “extrair, produzir e descartar”, gera um desperdício significativo de recursos.

Para o setor ambiental, esse dado reforça a necessidade premente de implementar modelos que garantam o fechamento do ciclo de materiais antes que se tornem um passivo ambiental. No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o Acordo Setorial buscam estabelecer essa responsabilidade para fabricantes e importadores de eletrônicos, mas a plena conformidade ainda esbarra na ausência de cadeias logísticas eficientes em grande parte do território nacional.

“Tratamos o lixo eletrônico como se fosse um problema ambiental. Mas ele é também um desperdício econômico. Estamos descartando matérias-primas importantes que já foram extraídas, processadas e transportadas e que podem voltar ao sistema com um investimento menor do que essa perda estimada”, explica o especialista.

A recuperação desses materiais não apenas mitiga o impacto ambiental, mas também representa uma oportunidade econômica valiosa.

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Infraestrutura: o gargalo da reciclagem

Segundo Oliveira, o principal obstáculo para a reciclagem em larga escala não é a falta de consciência ambiental, mas sim a carência de infraestrutura.

“Se o consumidor não tem onde descartar, o produto não entra no sistema. Por isso, a construção de uma rede nacional foi essencial para viabilizar ganho de escala”, pontua o CEO.

A Circular Brain desenvolveu o ecossistema Circulare, que hoje conta com mais de 17 mil pontos de entrega, coleta domiciliar gratuita para eletrodomésticos de grande porte e 65 recicladores homologados. Este modelo inovador garante o rastreamento de cada etapa da cadeia, desde a coleta até o destino final, assegurando o tratamento ambientalmente adequado e em conformidade com a legislação.

A rastreabilidade, fundamental para a economia circular, vai além da conformidade legal, permitindo que o resíduo seja transformado em um ativo econômico. Empresas que aderem a sistemas eficientes de reciclagem reduzem sua dependência de matéria-prima virgem, otimizando seus recursos e fortalecendo sua competitividade no mercado.

O contexto atual, marcado pela queda na circularidade global e pela persistência do descarte inadequado de lixo eletrônico, evidencia a urgência de fortalecer e expandir iniciativas de reciclagem. A experiência da Circular Brain no Brasil demonstra que é possível construir modelos eficientes que transformam um problema ambiental em uma oportunidade econômica. Investir em infraestrutura, conscientização e tecnologia é o caminho para garantir um futuro mais sustentável e economicamente próspero.

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