Com 80% de chance de ocorrência em 2026, o fenômeno El Niño acende um alerta para o setor elétrico brasileiro, exigindo atenção redobrada no gerenciamento de reservatórios e demanda.
O setor de energia no Brasil prepara-se para um cenário de instabilidade climática no horizonte de 2026. Analistas da Nottus e da Climatempo, amparados por dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), apontam uma probabilidade elevada de que o fenômeno El Niño retorne ao país, trazendo consigo desafios operacionais para a rede elétrica nacional.
A transição climática deve ser célere. Após a dissipação do La Niña no início de 2026, os modelos meteorológicos indicam uma rápida passagem para a neutralidade, seguida pelo estabelecimento do El Niño entre maio e julho. O impacto nas chuvas e nas temperaturas deve ser mais sentido a partir da primavera e durante o verão de 2026/2027, períodos em que o fenômeno intensifica o acoplamento entre o oceano e a atmosfera.
O impacto no sistema hidrológico
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, atua como o principal motor da variabilidade climática. Embora os especialistas ainda não classifiquem o evento como um “super El Niño”, a expectativa de um fenômeno de forte intensidade já é suficiente para alterar o planejamento de longo prazo das empresas de energia.
“O contexto reforça a necessidade de planejamento operacional, gestão de carga, monitoramento hidrológico e atenção à segurança energética“, ressalta a equipe da Nottus sobre os riscos potenciais para a operação do sistema.
Riscos por região e segurança energética
A configuração climática esperada para o segundo semestre de 2026 traz riscos distintos para cada parte do país. No Sudeste e Centro-Oeste, áreas cruciais para a geração hidrelétrica, a previsão é de temperaturas elevadas e chuvas irregulares. Esse padrão pode comprometer a recuperação dos níveis dos reservatórios, elevando o risco hidrológico e pressionando a demanda por carga devido ao uso intensivo de refrigeração.
* Sul: Tendência de excesso de precipitação, aumentando o risco de inundações e temporais severos.
* Norte e Nordeste: Projeção de estiagens mais severas, com possível aumento na ocorrência de incêndios e maior estresse sobre os recursos hídricos.
O monitoramento contínuo desses fatores será determinante para a resiliência do setor elétrico. A previsibilidade de chuvas e a gestão eficiente das fontes térmicas e renováveis, como a eólica e a solar, ganharão ainda mais relevância para garantir que o suprimento de energia se mantenha estável, mesmo diante de um cenário de crescente volatilidade climática global.





















