O Porto do Açu, no Rio de Janeiro, avança para se tornar um epicentro global de hidrogênio verde e tecnologia, com 1 km² dedicado à produção de combustíveis sustentáveis e a instalação de um data center.
Localizado no norte fluminense, o Porto do Açu está traçando um ambicioso plano para se consolidar como um polo de energia limpa e inovação digital. A administração do complexo portuário reservou uma vasta área de 1 km² para o desenvolvimento de um hub de hidrogênio verde, um projeto de longo prazo que se estenderá por duas décadas, com o objetivo primordial de gerar combustíveis sustentáveis para diversos setores.
A iniciativa coloca o Porto do Açu na vanguarda da transição energética brasileira, destacando seu potencial não apenas como um terminal logístico, mas como um centro produtor de soluções renováveis. Paralelamente a essa visão de futuro em energia limpa, o porto também está se preparando para acolher um moderno data center, solidificando sua posição como um complexo multifacetado e estratégico para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Rio de Janeiro.
O Compromisso com a Produção de Combustíveis Verdes
A visão para o hub de hidrogênio verde, conforme detalhado por Rogério Zampronha, CEO da Prumo – holding que gerencia o Porto do Açu em parceria com o Porto de Antuérpia-Bruges – não se concentra na exportação direta de hidrogênio. Em vez disso, a estratégia é transformar a matéria-prima em combustíveis verdes essenciais para a indústria química, o transporte marítimo e outros modais. Atualmente, o projeto já possui uma licença prévia, permitindo que empresas interessadas reservem espaço para suas futuras operações.
As projeções são robustas: espera-se que as instalações no porto produzam anualmente 605 mil toneladas de hidrogênio verde – obtido através da eletrólise da água utilizando eletricidade de fontes renováveis – e uma quantidade similar de hidrogênio azul, que deriva do gás natural com tecnologia de captura e armazenamento de carbono. Além disso, o complexo prevê a produção de 1,9 milhão de toneladas de amônia verde e 315 mil toneladas de e-metanol por ano, todos derivados do hidrogênio verde.
“Vai haver algumas plantas de produção de hidrogênio, não para exportação de hidrogênio, mas sim para insumo da produção dos novos combustíveis. Então é hidrogênio para fazer metanol para ser usado nos navios que aportam, metanol para indústria química e metanol para a síntese do biodiesel no interior do Brasil, principalmente.”
Rogério Zampronha, CEO da Prumo
Parcerias Estratégicas Impulsionam o Hub
O compromisso com o hidrogênio verde no Porto do Açu já se traduz em parcerias internacionais estratégicas. Em janeiro, a Yamna, uma empresa inglesa especializada em hidrogênio verde e seus derivados, assinou um acordo para reservar área no hub, com planos de implantar uma fábrica de amônia verde com capacidade para produzir até 1 milhão de toneladas anuais. O início da produção das primeiras moléculas verdes está previsto para 2030, marcando um passo significativo na materialização do projeto.
Outro acordo relevante foi firmado com a norueguesa Fuella AS, para uma fábrica de amônia verde de até 520 MW, com potencial para 400 mil toneladas por ano. O porto também conta com a colaboração da multinacional HIF Global para a produção de e-metanol, e da H2Brazil para a fabricação de hidrogênio verde. Essas alianças reforçam a ambição do Porto do Açu de se tornar um polo diversificado na produção de combustíveis de baixo carbono.
O Porto como Centro de Tecnologia: Recebendo Data Centers
Em uma iniciativa paralela de diversificação e inovação, a gestão do Porto do Açu também prevê a instalação de um data center. Rogério Zampronha confirmou que contratos foram firmados com duas companhias multinacionais especializadas no desenvolvimento de data centers, cujos nomes ainda não foram revelados. A escolha do Porto do Açu para abrigar essas infraestruturas tecnológicas não é aleatória.
O local oferece vantagens competitivas cruciais, como a vasta disponibilidade de água e energia, a proximidade com instituições de ensino superior federais e estaduais, e, notavelmente, um atrativo regime de incentivos fiscais concedido pelo governo do Rio de Janeiro. Em 2024, a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) aprovou uma legislação que oferece diferimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para data centers estabelecidos no estado, postergando o recolhimento do imposto.
“A gente espera que possa anunciar os investimentos de quais vão ser os data centers nos próximos meses. Está virando uma realidade.”
Rogério Zampronha, CEO da Prumo
A transformação do Porto do Açu em um hub de hidrogênio verde e um polo para data centers projeta o complexo portuário para o futuro da economia verde e digital. Essa estratégia dual não só posiciona o Rio de Janeiro como um estado-chave na transição energética global, mas também impulsiona o desenvolvimento de infraestrutura de alta tecnologia. Com a produção de combustíveis sustentáveis e a atração de investimentos em tecnologia da informação, o Porto do Açu se consolida como um motor de crescimento, inovação e sustentabilidade para o Brasil nas próximas décadas.





















