A conferência de Santa Marta representa um avanço significativo na transição dos combustíveis fósseis, reunindo 56 países em busca de soluções conjuntas e substituindo impasses por progresso.
Em um cenário global de cooperação climática fragilizada, a conferência de Santa Marta emerge como um exemplo de união, onde países priorizaram o interesse comum. A iniciativa, voltada para a transição energética, reuniu governos de 56 nações, demonstrando liderança climática ao estabelecer uma coalizão voluntária focada no desafiador objetivo de encerrar a dependência de combustíveis fósseis. Este encontro transformou a discussão de “o que precisa ser feito” para “como fazer acontecer juntos”, abrindo caminho para avanços concretos.
As frentes de ação para a transição
As discussões em Santa Marta identificaram três eixos fundamentais para acelerar a transição energética: o desenvolvimento de planos nacionais de transição incorporados às políticas dos países; a abordagem da dependência macroeconômica e a reestruturação financeira; e o reequilíbrio do comércio e investimento para viabilizar a descarbonização. Um marco importante foi a criação de um painel científico multidisciplinar, com o objetivo de fornecer análises anuais até 2035, orientando políticas públicas e promovendo a inclusão de cientistas do Sul Global. O compromisso de fechar a lacuna de governança sobre combustíveis fósseis foi reforçado, com a meta de tornar as ações relevantes, urgentes e concretas.
Vozes de liderança e esperança
Manuel Pulgar Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF, destacou a esperança gerada pela conferência, transformada em impulso para a implementação de planos. Ele ressaltou que, embora o caminho para longe do carvão, petróleo e gás não seja fácil, o evento marca um início concreto e colaborativo. Fernanda de Carvalho, líder global de políticas climáticas e energéticas do WWF, enfatizou que a conferência plantou as sementes de uma nova iniciativa focada na implementação, buscando diminuir a lacuna entre ambição e ação e garantindo que as vozes das comunidades mais afetadas sejam ouvidas. A cooperação do Sul Global, exemplificada pela Colômbia coorganizando o evento, foi celebrada como crucial para o futuro da transição.
Compromisso com a ação e o futuro
Ximena Barrera, diretora do WWF Colômbia, destacou a liderança inovadora da Colômbia na co-sede da conferência, posicionando o país na vanguarda dos esforços de transição. Ela ressaltou que a transição vai além da redução de emissões, abrangendo justiça social, natureza, segurança energética e diversificação econômica. Uma segunda conferência está planejada para 2027, com a participação de Tuvalu e Irlanda, e consultas contínuas entre coalizões e especialistas. O WWF reafirmou seu compromisso em apoiar as próximas etapas, com foco em soluções que priorizem pessoas, natureza e o planeta. O WWF-Brasil avalia os próximos passos para transformar compromissos em implementação concreta, incentivando o Brasil a definir um Mapa do Caminho claro para o fim dos combustíveis fósseis, uma decisão econômica estratégica para atrair investimentos e liderar na economia de baixo carbono.
Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, complementou que o legado de Santa Marta é a demonstração de que a cooperação internacional pode ir além dos espaços formais de decisão, conectando vontade política, ciência e implementação. Este movimento fortalece o processo rumo à COP do Clima, indicando que não há mais espaço para transições lentas. A capacidade dos países, incluindo o Brasil, de transformar compromisso em ação coordenada, com justiça social e credibilidade, é o que está em jogo diante da crise climática.






















