Petrobras lucra bilhões enquanto cortes na transição energética geram protestos
A Petrobras registrou um lucro bilionário, mas ativistas protestam em frente à empresa. As manifestações ocorrem durante a Assembleia Geral Ordinária, onde se discute a distribuição de mais de R$ 110 bilhões em lucros, enquanto o custo da energia pesa no bolso dos mais pobres.
Protestos por Transição Energética Justa
Durante a Assembleia Geral Ordinária da Petrobras, um grupo de organizações da sociedade civil se manifestou em frente ao prédio da petrolífera no Rio de Janeiro. A principal cobrança era por uma transição energética justa e por justiça climática. A empresa, que divulgou um lucro superior a 110 bilhões de reais, está sendo criticada pela contratação de influenciadores para discutir a transição energética, enquanto simultaneamente reduz o orçamento destinado a projetos nessa área.
Expansão de Combustíveis Fósseis em Contraste com Metas Climáticas
Em março de 2026, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou o foco da empresa na expansão da produção de combustíveis fósseis. Ela destacou que o ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção, com o aumento do volume de óleo e gás permitindo compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos. Essa estratégia contrasta com os compromissos globais assumidos pelo Brasil para a redução de emissões e com as projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a demanda por petróleo atingirá seu pico até 2030.
Alternativas para um Futuro de Baixo Carbono
O posicionamento “A Petrobras de que Precisamos”, lançado pelo Observatório do Clima, propõe que a Petrobras priorize investimentos em baixo carbono e diversifique seu core business. Isso inclui realocar investimentos planejados em novas refinarias para a ampliação da participação de novos combustíveis de baixo carbono na matriz energética, reduzindo a demanda interna por derivados de petróleo. A empresa também pode aproveitar sua experiência para investir em biocombustíveis, como os de segunda e terceira gerações, diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF).
Apelos por Liderança na Transição Energética
Suely Araújo, Coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, enfatiza que a Petrobras pode e deve liderar ações mais efetivas na transição energética. Ela ressalta a necessidade de internalizar a gravidade da crise climática e diversificar investimentos em fontes renováveis, indo além da esfera narrativa. Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo, aponta que os planos da Petrobras de ampliar investimentos em combustíveis fósseis representam um risco para a perenidade econômico-financeira da empresa, especialmente em áreas sensíveis como a Foz do Amazonas.
Ele defende que a Petrobras se torne uma empresa de energia, liderando de fato uma transição energética justa e deixando para trás seu passado petrolífero. João Cerqueira, Diretor da 350.org Brasil, critica o fato de que os lucros bilionários da empresa contrastam com os custos pagos pela população, incluindo subsídios fósseis, danos ambientais e contas de energia elevadas.






















