ONS e CCEE Definem Parâmetros de Risco em Modelos de Planejamento Elétrico

ONS e CCEE Definem Parâmetros de Risco em Modelos de Planejamento Elétrico
ONS e CCEE Definem Parâmetros de Risco em Modelos de Planejamento Elétrico - Foto: Reprodução / Freepik AI
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ONS e CCEE alinham a definição de aversão ao risco em modelos computacionais cruciais para a segurança e custo do Sistema Interligado Nacional.

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O Nervo da Segurança Operacional: ONS e CCEE Confrontam a Aversão ao Risco em Simulações

O cenário energético brasileiro vive um momento de intensa calibração técnica. No centro desse ajuste fino, o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica CCEE promoveram um workshop técnico fundamental. O tema? A delicada e crucial definição do nível de aversão ao risco a ser incorporado nos modelos computacionais que regem o planejamento e a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para nós, profissionais de energia limpa, entender essa matemática é sinônimo de previsibilidade e sustentabilidade.

A discussão não é mera formalidade acadêmica. Ela afeta diretamente o custo marginal de operação (CMO) e, consequentemente, o preço da energia. A aversão ao risco funciona como um *hedge* algorítmico: ela diz ao modelo o quanto estamos dispostos a pagar hoje para evitar um cenário catastrófico amanhã, como um blecaute em período hidrológico desfavorável. A busca, portanto, é por um equilíbrio entre segurança robusta e eficiência econômica, especialmente com a crescente penetração das fontes renováveis intermitentes.

A Agenda do CT PMO/PLD e a Busca por Consenso

Este encontro, frequentemente associado ao Comitê Técnico de Planejamento e Monitoramento da Operação (CT PMO/PLD), visa refinar os parâmetros usados em ferramentas de simulação, como o Newave ou o DESSEM. Notícias recentes indicam que o setor tem debatido intensamente sobre a manutenção ou revisão desses parâmetros, especialmente após implementações recentes nos modelos computacionais em janeiro deste ano.

O debate central gira em torno da Resolução CMSE nº 1/2025, que estabelece a obrigatoriedade de revisão anual desses valores. A CCEE e o ONS, como protagonistas da operação, trazem visões complementares, mas que por vezes exigem costura fina. É sabido que a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) também participa ativamente da proposição desses estudos.

O Peso das Fontes Limpas na Equação do Risco

Para o setor de energia limpa, a inserção massiva de eólica e solar muda a dinâmica da variabilidade. Hidrelétricas, antes o principal fator de risco hidrológico, agora dividem o palco com a dependência das condições de vento e irradiação solar. Os modelos computacionais precisam refletir essa nova realidade com precisão cirúrgica.

Se o nível de aversão ao risco for muito baixo, o sistema pode se tornar excessivamente otimista com a geração renovável, exigindo acionamentos caros de termelétricas em momentos de baixa disponibilidade eólica/solar. Por outro lado, um risco excessivamente alto penaliza o consumidor com custos operacionais desnecessários em tempos de abundância hídrica ou eólica.

Entendendo a Mecânica: O Objetivo do Modelo

O ONS, em seus documentos técnicos, explica que a aversão ao risco é traduzida em uma ponderação dentro da função objetivo do modelo. O objetivo final é minimizar o custo esperado de operação, mas introduzindo um prêmio por segurança. Este prêmio é calibrado pelo nível de aversão ao risco escolhido.

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A complexidade aumenta ao se considerar que a intermitência das fontes renováveis introduz um tipo de risco diferente do risco hidrológico tradicional. A integração de dados meteorológicos de alta resolução é fundamental para que os modelos computacionais possam diferenciar um “azar” momentâneo de uma tendência sistêmica.

A Harmonia Necessária Entre os Reguladores

A convergência entre ONS e CCEE neste workshop técnico sinaliza maturidade no processo decisório do setor. Quando o operador e o agente de mercado chegam a um consenso sobre os parâmetros, a incerteza para investidores em geração limpa diminui significativamente. Isso é vital para atrair capital para projetos de expansão sustentável.

Em edições anteriores, foi notado um debate sobre a divergência em propostas iniciais, mas a tendência observada é de aproximação das teses, focando na manutenção de parâmetros estabelecidos que já se mostraram resilientes. Manter a estabilidade regulatória sobre a modelagem é, em si, um fator de redução de risco para todo o mercado.

Próximos Passos: Da Discussão à Implementação no SIN

O resultado prático deste workshop técnico é a consolidação de um parâmetro que será a base para o planejamento de longo prazo e para a operação em tempo real ao longo do próximo ciclo. Para o profissional focado em energia limpa, a mensagem é clara: os pilares da segurança do SIN estão sendo solidificados com base em dados e discussões aprofundadas.

A discussão sobre aversão ao risco é um termômetro da saúde do sistema elétrico brasileiro. Ela revela a sofisticação com que o Brasil gerencia a transição energética, garantindo que a robustez do passado conviva de forma otimizada com a inovação das fontes renováveis do futuro. Acompanhar essas discussões é fundamental para quem busca não apenas gerar energia, mas também moldar o futuro energético do país.

Visão Geral

O alinhamento entre ONS e CCEE sobre a aversão ao risco nos modelos computacionais é um passo crucial para a estabilidade do SIN, equilibrando a segurança operacional com a eficiência econômica, especialmente diante da expansão da geração limpa e sua intermitência inerente. O debate técnico reforça a governança do setor.

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