A análise detalhada revela que a taxa média de curtailment atingiu 21,3% em janeiro, com a Bahia liderando os índices de restrição, conforme estudo do Itaú BBA.
Conteúdo
- Análise Inicial do Cenário de Restrição
- Foco Geográfico: O Papel da Bahia no Curtailment
- Causas Estruturais e Impactos Econômicos do Curtailment
- Soluções Estratégicas: Transmissão e Armazenamento
- Visão Geral
Análise Inicial do Cenário de Restrição
Um dado alarmante emanou das análises de mercado do Itaú BBA: a taxa média de curtailment (restrição de despacho) no Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu um patamar crítico de 21,3% durante o mês de janeiro. Este índice representa a energia renovável, primariamente energia solar e energia eólica, que foi gerada, mas não pôde ser injetada na rede devido a limites impostos pelo sistema.
O ponto de maior fricção, segundo o estudo, está concentrado no Nordeste, com a Bahia emergindo como o estado com os maiores níveis de restrição. Este cenário impõe uma reflexão urgente sobre o timing e a suficiência dos investimentos em infraestrutura de transmissão no país.
Foco Geográfico: O Papel da Bahia no Curtailment
O fenômeno do curtailment em patamares tão elevados é um sintoma direto do descompasso entre a explosão da capacidade instalada de fontes intermitentes e a capacidade da rede de escoamento. O Nordeste, berço de ventos e sol de classe mundial, instalou uma capacidade de geração impressionante, mas as linhas de transmissão que ligam essa produção ao Sudeste consumidor não conseguiram acompanhar essa expansão.
Em janeiro, especificamente, a alta incidência de ventos fortes, característica da safra eólica da região, somada à alta irradiação solar, empurrou o sistema para além de seus limites operacionais. O Operador Nacional do Sistema (ONS) é obrigado a acionar restrições para manter a estabilidade do SIN, evitando sobrecargas perigosas nos ativos de transmissão.
O Itaú BBA destaca que o caso da Bahia é emblemático. O estado possui um pipeline de geração renovável gigantesco, mas as interconexões que levam essa eletricidade ao Sudeste — o grande centro de demanda — apresentam gargalos crônicos em certos trechos e horários de pico.
Causas Estruturais e Impactos Econômicos do Curtailment
Para os geradores de energia limpa, este curtailment representa um impacto direto no revenue. A energia que é restringida, mesmo que gerada de forma limpa e barata, deixa de gerar receita. O custo implícito de não ter uma rede robusta está sendo transferido do sistema para o bolso dos investidores em projetos renováveis.
Este patamar de 21,3% de curtailment em janeiro força uma revisão das premissas econômicas dos projetos futuros. Um projeto que tenha um P50 (probabilidade de 50% de realização) afetado por restrições sistêmicas perde seu atrativo de baixo custo, pois o risco de curtailment elevado precisa ser precificado no custo da dívida e do equity.
Soluções Estratégicas: Transmissão e Armazenamento
A solução de longo prazo é, inegavelmente, a aceleração dos leilões e da construção de novas linhas de transmissão, garantindo que haja redundância e capacidade suficiente para escoamento até mesmo cenários de geração máxima simultânea em todo o Nordeste.
Contudo, o armazenamento surge como a alternativa de resposta imediata. Se houvesse mais baterias instaladas na região da Bahia, a energia excedente poderia ser armazenada durante os picos e liberada quando a restrição fosse suspensa, convertendo a energia hoje perdida em receita futura.
O Itaú BBA sugere que este dado deve servir como um grito de alerta para os reguladores. É preciso desburocratizar e priorizar a modernização da rede, tratando a infraestrutura de transmissão como a peça mais crítica para o sucesso da matriz renovável brasileira.
A transição energética não se trata apenas de instalar turbinas e painéis; trata-se de construir a estrada por onde essa energia vai trafegar. Com 21,3% de energia sendo desperdiçada em janeiro, o Brasil demonstra que a infraestrutura de rede é, atualmente, o gargalo mais caro do setor elétrico.
Visão Geral
A análise do Itaú BBA aponta um curtailment de 21,3% em janeiro, impulsionado pela alta geração eólica e solar na Bahia, evidenciando a urgência de investimentos em transmissão e armazenamento para garantir o pleno escoamento da energia limpa.




















