STJ suspende decisões que flexibilizaram metas de descarbonização do RenovaBio.
Conteúdo
- Intervenção Judiciária e Metas de Descarbonização
- Insegurança Jurídica e Política Energética
- Impacto no Mercado e Risco Sistêmico
- Visão Geral
Intervenção Judiciária e Metas de Descarbonização
O ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, suspendeu decisões judiciais que permitiam a distribuidoras de combustíveis descumprir regras do RenovaBio. A medida visa impedir que o Judiciário intervenha em questões técnicas do setor de combustíveis, alegando potencial grave lesão à ordem pública. A ação foi motivada por 6 decisões do TRF-1 que autorizavam depósitos judiciais em vez do cumprimento da obrigação de créditos de descarbonização. A Advocacia Geral da União (AGU) destacou que existem mais de 43 ações similares tramitando no país, reforçando a necessidade de estabilidade regulatória para o setor energético e o alinhamento com a agenda climática global, que pode ser acessada no Portal Energia Limpa.
Insegurança Jurídica e Política Energética
A AGU argumentava que as decisões judiciais invadiam a competência regulatória do Conselho Nacional de Política Energética, responsável por definir as metas anuais de redução de emissões. O ministro Salomão concordou que a atuação do TRF-1 gerava insegurança jurídica e enfraquecia o sistema regulatório. Ele ressaltou que permitir a substituição das metas compulsórias por depósitos calculados unilateralmente pelas próprias distribuidoras afasta a aplicação uniforme de uma política pública estruturante. Essa interferência fragiliza a autoridade normativa da ANP e do Conselho, comprometendo a previsibilidade essencial para o regime regulatório do setor de energia.
Impacto no Mercado e Risco Sistêmico
Salomão avaliou que as decisões possuem um impacto que pode se multiplicar, pois uma parcela significativa das distribuidoras já havia solicitado essa substituição, criando um incentivo concreto ao descumprimento generalizado das metas ambientais, com reflexos sistêmicos. Ele enfatizou que não se tratava apenas de uma controvérsia arrecadatória, mas de uma alteração no modo de cumprimento de obrigação legal ambiental, com repercussões diretas nos compromissos climáticos do Brasil. A troca das obrigações de descarbonização por depósitos judiciais desorganiza o mercado de créditos de descarbonização, reduzindo artificialmente a demanda e levando à formação irregular de preços, o que representa um risco à ordem pública.
Visão Geral
A decisão do STJ visa garantir a estabilidade do mercado regulado de combustíveis e a efetividade do RenovaBio, impedindo que decisões judiciais pontuais fragilizem políticas ambientais estruturantes. A manutenção das decisões do TRF-1 foi vista como um grave risco à estabilidade do mercado sensível e à credibilidade das metas de descarbonização assumidas pelo país. O entendimento reforça a necessidade de respeitar as competências dos órgãos reguladores na implementação de políticas energéticas e ambientais complexas, essenciais para o futuro sustentável do Brasil.























