Roraima enfrenta reajuste de 24% na conta de luz, expondo a vulnerabilidade de sistemas isolados à operação de termelétricas.
Conteúdo
- O Preço da Dependência Térmica
- Roraima: Um Ecossistema Energético Isolado e a Transição Energética
- O Efeito Cascata no Mercado e a Energia Renovável
- A Urgência da Diversificação e Armazenamento de Energia
- O Olhar do Regulador e do Setor Privado
- Visão Geral
O Preço da Dependência Térmica
A raiz do problema reside na insuficiência da geração própria e na intermitência das fontes disponíveis, forçando a usina térmica a operar em capacidade máxima, ou como backup constante. As termelétricas, movidas primariamente a diesel ou gás (em volumes limitados), possuem um Custo Variável Unitário (CVU) dramaticamente superior ao da hidráulica ou solar.
Quando o despacho térmico é mandatório para garantir o suprimento — como ocorre em sistemas que não possuem conexão robusta com o Sistema Interligado Nacional (SIN) — esse custo elevado é inevitavelmente repassado ao consumidor final via Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e Tarifas de Energia (TUE). O aumento de 24% reflete diretamente essa pressão de custo.
Roraima: Um Ecossistema Energético Isolado e a Transição Energética
O sistema isolado de Roraima (o chamado Ilha Roraima) sempre foi um ponto nevrálgico para a segurança do suprimento. A recente conexão, embora estratégica, não elimina a necessidade de fontes firmes e localizadas para suprir a demanda de forma contínua.
O dilema reside no equilíbrio entre a expansão da infraestrutura de transmissão e a implantação de geração local sustentável. Investimentos em eólica e solar na região são vitais, mas exigem soluções de armazenamento de energia (baterias) para mitigar a necessidade de acionar as dispendiosas termelétricas.
Para os especialistas em energia renovável, Roraima é um laboratório de alto risco: como descarbonizar rapidamente sem gerar colapso tarifário? A resposta passa por um mix energético que diminua drasticamente a participação das termelétricas.
O Efeito Cascata no Mercado e a Energia Renovável
Embora Roraima seja uma área restrita, o aumento de 24% na tarifa tem implicações macroeconômicas e sociais. Ele afeta o poder de compra, pressiona a inflação local e levanta questionamentos sobre a gestão dos subsídios cruzados utilizados para amenizar o impacto dessas fontes caras.
No cenário nacional, o caso reaviva o debate sobre a alocação dos custos de Geração Fora do Ambiente de Contratação Regulada (ACR) e a forma como esses custos são rateados entre os consumidores do SIN. A alta dependência de termelétricas em Roraima pressiona orçamentos de subsídio que poderiam ser direcionados para outras áreas da transição energética.
A Urgência da Diversificação e Armazenamento de Energia
O grande insight para o setor elétrico é a urgência de acelerar projetos de energia renovável in loco em Roraima. A curto prazo, a expansão da capacidade solar e eólica local, acoplada a projetos-piloto de armazenamento, é a única via para reduzir a dependência das termelétricas.
A conectividade com o SIN alivia a pressão, mas não resolve a questão estrutural da geração interna. A resiliência do sistema depende de fontes que não dependam de combustíveis fósseis importados ou de logística complexa.
Enquanto o país debate a competitividade das fontes limpas no ambiente centralizado, Roraima demonstra, na ponta, o custo da inação na diversificação de sua matriz. O reajuste de 24% é um preço alto pago pela segurança do suprimento garantido pela queima de combustíveis fósseis.
O Olhar do Regulador e do Setor Privado
A Aneel e os agentes privados que atuam na região devem agora focar em mecanismos de contratação de longo prazo que viabilizem a instalação de novas eólicas e solares. A garantia de off-takes (contratos de compra) atrativos é fundamental para que o capital privado arrisque o investimento em uma região de logística desafiadora.
O setor de distribuição, representado pela Roraima Energia, fica na linha de frente, absorvendo a insatisfação pública enquanto gerencia um custo operacional elevado. A mitigação desse custo exige uma política energética focada e agressiva na implantação de fontes de baixo CVU.
Visão Geral
Em conclusão, o salto de 24% na conta de luz de Roraima não é uma anomalia isolada; é o reflexo direto da penalidade econômica imposta pela operação contínua de termelétricas. A lição para o setor elétrico é clara: a transição energética não é apenas uma meta ambiental, mas uma necessidade imperativa de estabilidade tarifária, especialmente em sistemas isolados.























