WWF-Brasil apresenta propostas ao Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis

WWF-Brasil apresenta propostas ao Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis
WWF-Brasil apresenta propostas ao Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis - Foto: Divulgação / Arquivo
Compartilhe:
Fim da Publicidade

O WWF-Brasil entregou um conjunto robusto de recomendações técnicas ao governo, focadas em construir um Mapa do Caminho para encerrar o uso de combustíveis fósseis no país, visando uma transição energética justa e baseada em evidências científicas.

Recomendações Estruturadas em Pilares para a Transição Energética

O WWF-Brasil submeteu 31 recomendações técnicas essenciais, estruturadas em quatro pilares estratégicos: financiamento, governança e institucionalidade, metas e cronograma, e diretrizes setoriais. Estas propostas visam guiar a elaboração do Mapa do Caminho para o fim dos combustíveis fósseis no Brasil, alinhando-se ao despacho presidencial de dezembro de 2025. O objetivo central é orquestrar uma transição energética que seja justa e bem planejada, integrando ações coordenadas de oferta, demanda, regulação e investimentos. Tais diretrizes se fundamentam em evidências científicas consolidadas, análises socioeconômicas detalhadas e anos de estudos de planejamento energético conduzidos pela organização e suas redes parceiras.

As sugestões articulam a reorientação de subsídios e investimentos atualmente direcionados aos combustíveis fósseis para soluções de baixo carbono. Propõe-se também o fortalecimento da governança da transição, estabelecendo instâncias decisórias com coordenação interministerial. Além disso, é crucial definir metas vinculantes, com prazos claros, indicadores de acompanhamento e integração orçamentária formal nos instrumentos de planejamento oficiais.

No âmbito setorial, as propostas defendem firmemente a interrupção de qualquer nova expansão da fronteira fóssil, o planejamento para o descomissionamento seguro de ativos de petróleo e gás, e a aceleração da eletrificação baseada em fontes renováveis. Também é defendido o fomento a biocombustíveis avançados e a modernização regulatória do setor energético para garantir previsibilidade, segurança energética e mitigação de riscos fiscais, sociais e climáticos a longo prazo.

A Oportunidade do Mapa do Caminho para o Século XXI

Para o WWF-Brasil, o Mapa do Caminho é um momento decisivo para alinhar a política energética nacional com as demandas da economia do século XXI. Ricardo Fujii, especialista em conservação da organização, destaca a ineficiência econômica da insistência na expansão fóssil, além dos riscos climáticos inerentes.

As evidências mostram que insistir na expansão da fronteira fóssil não é apenas um risco climático, mas uma escolha economicamente ineficiente. O Brasil tem todas as condições de liderar uma transição energética justa, planejada e competitiva, desde que as decisões sejam baseadas em dados, transparência e visão de longo prazo.

A Petrobras, que detém mais da metade da expansão planejada do país, incluindo projetos de alto risco, é central nesse debate. A organização enfatiza que a liderança brasileira na transição energética depende fundamentalmente de decisões políticas fundamentadas em dados concretos e uma visão estratégica de futuro.

FIM PUBLICIDADE

Diretrizes de Financiamento e Governança

As diretrizes focadas no financiamento da descarbonização exigem a união entre marcos regulatórios estáveis e mecanismos financeiros que catalisem a realocação de capital, mitigando riscos. É fundamental que os portfólios de investimento de instituições como Petrobras e BNDES sejam reorientados para priorizar fontes renováveis não hídricas e biocombustíveis avançados. Uma medida essencial é a internalização do custo social do carbono nas análises de viabilidade de novos projetos de infraestrutura energética, considerando as externalidades climáticas e de saúde pública.

A substituição da lógica de “explorar para financiar” pela alocação direta de capital em eletrificação renovável e biocombustíveis (como etanol, biodiesel e biometano) assegurará retornos socioeconômicos positivos e fortalecerá a segurança energética, preservando o equilíbrio fiscal.

As propostas de governança, institucionalidade e transparência buscam transformar o modelo atual, meramente consultivo, em uma estrutura executiva e deliberativa, garantindo a continuidade das políticas de Estado. Isso implica coordenação transversal entre as áreas estratégicas do governo e o fortalecimento do Fórum Nacional de Transição Energética como instância central de deliberação. A criação de autoridades coordenadoras, a definição clara de responsabilidades institucionais e a adoção de mecanismos de transparência ativa são vitais para assegurar a efetividade e o controle público sobre a implementação do planejamento da transição energética.

Metas Vinculantes e Diretrizes Setoriais para o Descomissionamento

As diretrizes sobre metas, indicadores e orçamento propõem a criação de marcos vinculantes que transformem orientações estratégicas em obrigações executivas. Isso inclui metas setoriais claras e compulsórias para descarbonização, eficiência energética e transformação tecnológica, todas acompanhadas de indicadores verificáveis e prazos estabelecidos. Este arranjo deve ser sustentado por um ciclo de planejamento com revisões obrigatórias e vinculação orçamentária nos instrumentos federais, garantindo a alocação de recursos necessários. A exequibilidade da transição depende da articulação interministerial e de metas compartilhadas.

As diretrizes setoriais focam na interrupção da expansão da fronteira fóssil e na gestão planejada do declínio do setor de petróleo e gás, com redução de subsídios e diversificação econômica para regiões dependentes. Em paralelo, defende-se a descarbonização profunda dos transportes, priorizando a eletrificação com fontes 100% renováveis e o incentivo à mobilidade coletiva. A modernização regulatória deve priorizar as energias renováveis, estimulando o biometano, a eólica offshore e o hidrogênio verde, com monitoramento contínuo do consumo e da participação de fontes limpas.

As contribuições técnicas do WWF-Brasil são fundamentadas em um acúmulo robusto de conhecimento, incluindo estudos como “O Brasil em uma encruzilhada: repensando a expansão de petróleo e gás da Petrobras”, que alerta que 85% dos ativos da empresa podem se tornar obsoletos em um cenário de 1,5 °C. Outros documentos de referência incluem o relatório do UNEP e o *Net Zero Roadmap* da IEA, que traçam caminhos globais para o cumprimento do Acordo de Paris. A organização reforça que a efetividade da transição energética justa depende de decisões políticas firmes para redirecionar investimentos e adotar as diretrizes propostas.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

Área de comentários

Seus comentários são moderados para serem aprovados ou não!
Alguns termos não são aceitos: Palavras de baixo calão, ofensas de qualquer natureza e proselitismo político.

Os comentários e atividades são vistos por MILHÕES DE PESSOAS, então aproveite esta janela de oportunidades e faça sua contribuição de forma construtiva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

ARRENDAMENTO DE USINAS

Parceria que entrega resultado. Oportunidade para donos de usinas arrendarem seus ativos e, assim, não se preocuparem com conversão e gestão de clientes.
ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Comunidade Energia Limpa Whatsapp.

Participe da nossa comunidade sustentável de energia limpa. E receba na palma da mão as notícias do mercado solar e também nossas soluções energéticas para economizar na conta de luz. ⚡☀

Siga a gente