Prefeito de Congonhas critica Vale por não acionar plano de contingência AGIR após vazamento de lama, alertado tardiamente pela CSN.
Conteúdo
- Falha no Plano de Contingência AGIR após Vazamento em Congonhas
- Alerta Tardio da CSN e Impactos Imediatos
- Responsabilidade da Vale e Ineficácia do Plano AGIR
- Assoreamento do Rio Goiabeiras e Risco de Enchentes
- Atuação do MPF e Solicitações à Vale
- Resposta da Mineradora e Medidas Adotadas
- Entenda o Vazamento na Mina de Fábrica
- Visão Geral
Falha no Plano de Contingência AGIR após Vazamento em Congonhas
O prefeito de Congonhas (MG), Anderson Cabido, classificou como “grave” a falha no acionamento do plano de contingência AGIR (Ações e Gestão Integrada de Riscos) durante o vazamento ocorrido em 25 de janeiro de 2026 na Mina de Fábrica. Este plano, elaborado em conjunto com as mineradoras e a Defesa Civil para proteger a população contra riscos de barragens, não foi ativado pela Vale, origem do transbordamento da escavação. O prefeito enfatiza que o objetivo primordial do AGIR é a evacuação imediata de áreas de risco em cenários de emergência, o que não ocorreu. Cabido sustenta que a Vale terá que responder formalmente por esta omissão crítica no protocolo de segurança estabelecido na região.
Alerta Tardio da CSN e Impactos Imediatos
Anderson Cabido revelou que o município de Congonhas somente foi notificado sobre o primeiro vazamento às 11h00 de domingo, 25 de janeiro de 2026, e o alarme veio da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), e não da Vale, responsável pelo ocorrido. A enxurrada de lama, atingindo cerca de 1,5 metro de altura, impactou diretamente três oficinas e o almoxarifado da CSN. O prefeito expressou seu profundo descontentamento com a situação, ressaltando que a falta de comunicação imediata pela Vale inviabilizou a aplicação do plano de emergência. A ausência de alerta impede as ações preventivas necessárias para salvaguardar vidas e minimizar danos estruturais no entorno das operações de mineração.
Responsabilidade da Vale e Ineficácia do Plano AGIR
O prefeito Cabido detalhou que o plano AGIR foi concebido mediante um comitê envolvendo a prefeitura, as empresas de mineração, a Defesa Civil estadual e o Corpo de Bombeiros. Congonhas realiza anualmente um simulado de emergência para mobilizar cidadãos e forças de segurança, sendo que a edição de 2025 foi a maior já realizada. Cabido lamenta que, diante de um evento real como o vazamento, o sistema de alerta pré-estabelecido, que aciona sirenes para evacuação a áreas seguras, permaneceu inativo. Esta inoperância demonstra uma falha grave na implementação prática do plano de gestão de riscos, colocando em xeque a eficácia dos protocolos de segurança negociados com as mineradoras que operam na cidade.
Assoreamento do Rio Goiabeiras e Risco de Enchentes
Após o vazamento da Vale, o rio Goiabeiras, que atravessa Congonhas, sofreu um intenso assoreamento devido ao grande volume de sedimentos carregados pela lama. O prefeito informou que, embora a Vale tenha se comprometido a realizar o desassoreamento, as intervenções estão suspensas devido ao período de chuvas. Isso eleva o risco de o município enfrentar enchentes nos dias subsequentes, pois o nível do rio subiu consideravelmente devido ao acúmulo de material. A necessidade de aguardar o período de seca para a dragagem representa um risco iminente para as áreas ribeirinhas, destacando as consequências ambientais a longo prazo do incidente de mineração.
Atuação do MPF e Solicitações à Vale
O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se sobre o ocorrido, apontando que a mineradora falhou em comunicar o fato imediatamente às autoridades, violando deveres legais de transparência e prejudicando a capacidade de resposta da Defesa Civil. Em função disso, o MPF exigiu que a Vale elabore urgentemente um relatório detalhado sobre a condição de estruturas similares em todas as suas minas localizadas no estado de Minas Gerais. Esta medida visa prevenir que falhas de contenção ou gestão de risco se repitam em outras unidades operacionais da empresa, reforçando a necessidade de compliance e monitoramento rigoroso das barragens.
Resposta da Mineradora e Medidas Adotadas
A Vale, por sua vez, comunicou que está atuando continuamente para restaurar as condições das áreas impactadas, reforçando a segurança operacional e mantendo um canal de transparência com órgãos públicos e a sociedade. Em ações específicas na Mina de Fábrica (em Ouro Preto), foram implementados videomonitoramento e medição de nível em tempo real, além de intervenções na Cava 18. Na Mina de Viga (em Congonhas), a empresa foca no desassoreamento de sumps e inspeções na rede de drenagem. A mineradora também destacou o monitoramento ambiental diário de córregos e a adoção de medidas para reduzir a turbidez da água e o material particulado na qualidade do ar em Congonhas, independentemente da origem dos sedimentos.
Entenda o Vazamento na Mina de Fábrica
As causas exatas do transbordamento ainda estão em investigação, mas a hipótese principal aponta para a contribuição de chuvas intensas na região de Ouro Preto. A água carregada de sedimentos avançou sobre a Unidade Pires, pertencente à CSN Mineração, um evento que coincidiu com o sétimo aniversário do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. O vazamento ocorreu entre 25 e 26 de janeiro nas minas de Viga e Fábrica, separadas por 22 km. Na Mina de Fábrica, o rompimento de uma cava resultou no carregamento de sedimentos e rejeitos do processo de mineração, ultrapassando o dique Freitas. O volume estimado foi de 263.000 metros cúbicos de água enlameada, atingindo o rio Goiabeiras, que deságua no rio Paraopeba — o mesmo afetado pelo desastre de Brumadinho.
Visão Geral
O prefeito de Congonhas criticou a Vale por não acionar o plano AGIR após vazamento de lama, alertado somente pela CSN. O não acionamento do plano de contingência é considerado uma falta grave. O incidente causou assoreamento do rio Goiabeiras, elevando o risco de enchentes. O MPF exigiu transparência e relatório sobre estruturas similares. A Vale alega estar atuando na restauração e mitigação de danos ambientais. Para mais informações sobre segurança de barragens e gestão de riscos na mineração, consulte o Portal Energia Limpa.






















