Um novo relatório global da BloombergNEF confirma que a transição energética entrou definitivamente em uma nova fase, com investimentos recordes em tecnologias de baixo carbono atingindo volumes históricos em 2025.
O novo relatório global da BloombergNEF aponta que os investimentos em tecnologias de baixo carbono atingiram a marca histórica de US$ 2,3 trilhões em 2025. Esse montante representa um crescimento de 8% em relação ao ano anterior, consolidando a transição energética como uma realidade econômica global. Mesmo diante de instabilidades geopolíticas e revisões de políticas públicas, o fluxo de capital para a energia limpa demonstrou resiliência.
O estudo é considerado uma das principais referências internacionais para o financiamento climático, indicando que o mundo caminha para uma matriz energética cada vez mais descarbonizada e sustentável.
Liderança da eletrificação e expansão das redes elétricas
O setor de eletrificação do transporte consolidou-se como o maior destino dos recursos, somando US$ 893 bilhões, impulsionado pelo avanço dos veículos elétricos e da infraestrutura de recarga. Paralelamente, as redes elétricas receberam US$ 483 bilhões, um crescimento de 17%, refletindo a urgência de modernizar a infraestrutura para integrar fontes de energias renováveis e atender à demanda de setores intensivos, como data centers.
Por outro lado, os investimentos em renováveis somaram US$ 690 bilhões, apresentando uma leve queda devido a mudanças no mercado chinês, mas mantendo-se como um dos pilares centrais da mudança de matriz.
O papel da energia nuclear na segurança energética
A energia nuclear também se destaca no cenário global, recebendo US$ 36 bilhões em investimentos em 2025. Segundo a ABDAN (Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares), os dados reforçam a necessidade de uma transição baseada na diversificação tecnológica e no planejamento de longo prazo. A busca por energia firme e de baixo carbono coloca a fonte nuclear como um elemento estratégico para garantir a estabilidade do sistema elétrico.
No Brasil, o fortalecimento desta fonte contribui diretamente para a segurança energética e a redução efetiva das emissões de gases poluentes na atmosfera.
“O relatório deixa claro que o mundo está investindo pesado em eletrificação e infraestrutura elétrica. Para sustentar esse movimento com segurança e confiabilidade, fontes como a energia nuclear são essenciais. No Brasil, a expansão nuclear contribui diretamente para a segurança energética, a estabilidade do sistema elétrico e a redução de emissões”, afirma Celso Cunha, presidente da ABDAN.
O Brasil e a dinâmica do mercado financeiro global
O mercado financeiro demonstrou forte tração, com a emissão global de dívida alcançando US$ 1,2 trilhão. O Brasil posicionou-se como o 9º maior mercado global em investimentos em transição energética, aportando US$ 38 bilhões em 2025, concentrados majoritariamente em fontes renováveis. Esse posicionamento representa uma oportunidade estratégica para o país ampliar sua infraestrutura elétrica e fortalecer o papel da energia nuclear no planejamento nacional.
Contudo, o relatório adverte que, apesar do recorde, o ritmo precisa acelerar para que as metas climáticas globais sejam atingidas com sucesso nas próximas décadas de transformação industrial.
“O desafio agora é transformar planejamento em execução. O volume global de investimentos mostra que capital existe. O que diferencia os países é a capacidade de criar ambientes regulatórios estáveis, previsíveis e tecnicamente sólidos para atrair esses recursos”, completa Cunha.
A consolidação de uma matriz elétrica segura, limpa e resiliente, composta por renováveis, redes robustas e energia nuclear, desponta como um dos principais desafios e oportunidades da próxima década. A transição tornou-se mais complexa, exigindo uma coordenação estreita entre políticas públicas, infraestrutura e tecnologia.























