Reajuste Tarifário Aneel em Roraima: Impactos e Fatores que Elevam a Conta de Luz.
Conteúdo
- Interligação ao SIN explica aumento: Mudança Estrutural de Custos
- Encargos e Transmissão Pressionaram Tarifas
- Risco Hidrológico Entra na Conta: Novas Participações Tarifárias
- Fatores de Alívio não Impediram Alta no Reajuste Tarifário
- Visão Geral
Interligação ao SIN explica aumento: Mudança Estrutural de Custos
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) formalizou o Reajuste Tarifário Anual (RTA) de 2026 para a Roraima Energia, estabelecendo um aumento médio de 24,13% nas tarifas a partir de 25 de janeiro. Este movimento impacta significativamente os consumidores do estado. O maior peso recai sobre a alta tensão, com reajuste de 28,93%, enquanto a baixa tensão experimenta uma alta média de 22,90%. A Roraima Energia, sob o grupo J&F desde outubro de 2025, é crucial na distribuição, atendendo 218 mil unidades. O cerne desta elevação tarifária reside na recente interligação do Sistema Isolado de Boa Vista ao SIN (Sistema Interligado Nacional), ocorrida em 1º de janeiro de 2026. Esta conexão forçou a distribuidora a absorver custos inéditos, abandonando a estrutura anterior, que dependia fortemente da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para cobrir a geração local.
Encargos e Transmissão Pressionaram Tarifas
A transição para o SIN trouxe consigo uma série de despesas setoriais que antes não integravam a matriz de custos de Roraima. Os encargos setoriais, por exemplo, saltaram 80,3% em comparação ao ciclo anterior, injetando 9,01 pontos percentuais no reajuste médio. Isso inclui a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e custos operacionais recém-incorporados como ESS, EER e Ercap, diretamente ligados à operação nacional do sistema. Além disso, o impacto mais dramático veio dos custos de transmissão, que escalaram impressionantes 1.166%. Este aumento representa 4,38% no impacto tarifário total e é motivado pelo pagamento do EUST (Encargo de Uso do Sistema de Transmissão) às empresas de transmissão, um custo inexistente enquanto o estado operava isoladamente. Para quem busca entender melhor as dinâmicas do setor, o Portal Energia Limpa oferece informações valiosas sobre tarifas e sustentabilidade, acesse aqui.
Risco Hidrológico Entra na Conta: Novas Participações Tarifárias
Outro elemento significativo na composição do aumento médio foi a inclusão do risco hidrológico, contribuindo com 2,87% para a pressão inflacionária na tarifa final. Com a entrada no sistema interligado, a Roraima Energia passou a participar do rateio dos riscos inerentes à operação das usinas hidrelétricas contratadas no mercado regulado. Isso implica compartilhar responsabilidades financeiras relativas a variações de geração em grandes ativos como Itaipu, Angra e outras usinas cotizadas. Essa participação no risco hidrológico é uma característica padrão do ambiente conectado ao SIN, refletindo a mutualização dos desafios climáticos que afetam a geração hídrica nacional. A regulamentação da Aneel garante que esses custos sejam repassados de forma equitativa, conforme os contratos vigentes no setor elétrico brasileiro.
Fatores de Alívio não Impediram Alta no Reajuste Tarifário
Apesar do cenário de alta pressão, alguns fatores atuaram como amortecedores parciais no reajuste tarifário. A quitação da CDE Conta-Covid gerou um alívio de 1,41% no efeito tarifário final. Adicionalmente, observou-se uma redução de 2,8% nos custos associados à compra de energia. Contudo, essas economias pontuais foram insuficientes para neutralizar o forte aumento estrutural imposto pelos novos encargos e custos de transmissão decorrentes da interligação. A Aneel destacou que a maior parte do ajuste (cerca de 72%) reside na Parcela A, custos não gerenciáveis pela distribuidora, enquanto a Parcela B (custos operacionais da Roraima Energia) variou apenas 1,04%, indicando controle nos gastos internos da empresa.
Visão Geral
O Reajuste Tarifário Anual de 2026 para Roraima Energia reflete uma transformação regulatória e estrutural profunda causada pela conexão ao SIN. O aumento médio de 24,13% é majoritariamente impulsionado pela incorporação de encargos setoriais e custos de transmissão antes inexistentes, além da participação no risco hidrológico. A Aneel reitera que a aplicação desses repasses segue rigorosamente a legislação setorial, visando cobrir os custos reais da expansão e operação do sistema elétrico. Para os consumidores, o impacto reflete a mudança de um sistema isolado para um modelo integrado ao mercado nacional de energia, exigindo maior conscientização sobre a composição da conta de luz e as tarifas elétricas.






















