Relatório da RSM aponta liderança do Brasil em transição energética como ponto forte para 2026

Relatório da RSM aponta liderança do Brasil em transição energética como ponto forte para 2026
Relatório da RSM aponta liderança do Brasil em transição energética como ponto forte para 2026 - Foto: Divulgação / Arquivo
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O Brasil se destaca na América Latina por sua maturidade em energias renováveis, consolidando sua posição de liderança na agenda de transição energética global, apesar de uma projeção de crescimento moderado do PIB.

A RSM, reconhecida mundialmente por seus serviços de auditoria e consultoria, divulgou o estudo 2026 Latin America Economic Outlook, indicando que o Brasil está bem posicionado para atrair investimentos sustentáveis significativos neste ano. O crescimento estimado para o PIB brasileiro é de aproximadamente 2%, alinhado com a estabilidade geral observada na América Latina, conforme dados da ECLAC.

O relatório ressalta que o legado da COP30, sediada em Belém, impulsionou o país como o principal destino regional para investimentos focados em descarbonização. O setor de energias renováveis, englobando bioenergia, eólico e solar, é visto como o motor principal para atrair capital estrangeiro e fomentar a inovação tecnológica, especialmente no middle market.

Essa conjuntura favorável permite que empresas brasileiras, de todos os portes, aprimorem sua eficiência operacional por meio da adoção de práticas robustas de sustentabilidade. No âmbito financeiro, o país mantém sua vanguarda na inovação regional, com o ecossistema de fintechs sendo um modelo de laboratório para a inclusão digital em toda a América Latina.

Para os líderes empresariais, o estudo da RSM enfatiza a necessidade crucial de investir em compliance e em ferramentas de planejamento de cenários. Tais medidas são vitais para navegar com sucesso no complexo ambiente marcado por reformas tributárias em andamento e pelas crescentes exigências regulatórias ambientais.

Marcelo Conti, sócio-líder de Consultoria e ESG na RSM, aponta que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma questão de imagem para se tornar um fator econômico tangível para o Brasil em 2026. Ele argumenta que a combinação da matriz energética mais limpa do país, sua capacidade técnica estabelecida e a pressão regulatória criam um cenário extremamente propício para novos investimentos. Conti destaca que isso é particularmente benéfico para o middle market, que necessita urgentemente traduzir os princípios ESG em ganhos reais de eficiência, melhor governança e, consequentemente, acesso facilitado a capital.

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O panorama regional traçado pela RSM prevê um crescimento médio de 2,3% para a América Latina, embora com ritmos variados entre as nações. A Argentina, por exemplo, espera a maior recuperação, projetando um crescimento de 4%, sustentado principalmente pelo agronegócio e pela implementação de tecnologias no campo, como a Agritech. Enquanto isso, o México e a América Central têm projeções de 1,3% e 3,6%, respectivamente.

O mercado mexicano continua a se beneficiar do fenômeno do nearshoring, mas seu potencial pleno depende de investimentos acelerados em infraestrutura e na garantia da confiabilidade energética, essenciais para suportar a demanda da cadeia de suprimentos dos Estados Unidos. A influência da dimensão política também é notável, dada a onda de eleições regionais ocorridas e previstas para 2026.

Um fator externo de grande peso para o bloco latino-americano é a finalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Esse acordo tem o potencial de desbloquear canais de exportação cruciais para a indústria e o agronegócio, embora sua concretização exija a superação das atuais incertezas regionais, com atenção redobrada aos aspectos socioambientais e climáticos.

Conti finaliza sua análise com um alerta estratégico:
“Em toda a América Latina, o capital está cada vez mais seletivo. Países e empresas que combinarem crescimento, previsibilidade regulatória e práticas ESG sólidas tendem a sair na frente. O Brasil tem vantagens claras, mas elas só se sustentam com execução, transparência e gestão de riscos”

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