Regulação Implacável Afeta Grandes Projetos Solares em Minas Gerais

Regulação Implacável Afeta Grandes Projetos Solares em Minas Gerais
Regulação Implacável Afeta Grandes Projetos Solares em Minas Gerais - Foto: Reprodução / Freepik
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A desenvolvedora Solatio desistiu de complexo solar em Minas Gerais devido ao risco de curtailment e incertezas geradas pela Lei 15.269, impactando investimentos no setor.

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Desistência de Complexo Solar e Outorgas Revogadas

O setor de energias renováveis em Minas Gerais acaba de receber um choque de realidade duro e palpável. A desenvolvedora Solatio oficializou a desistência de um complexo solar fotovoltaico, citando diretamente o cenário regulatório adverso, com ênfase no risco de curtailment e na ambiguidade da recém-sancionada Lei 15.269. Este movimento lança uma sombra sobre a previsibilidade dos investimentos no estado.

A notícia, divulgada amplamente, confirma a revogação, a pedido, das outorgas das usinas solares Araxá 1, 2 e 3. Juntas, essas unidades somavam 150 MW de capacidade instalada, um volume expressivo que representava uma parcela considerável no pipeline da empresa no Sudeste brasileiro. A decisão não é isolada, mas sim um sintoma de um mal-estar crescente no mercado.

Análise do Risco de Curtailment no Setor Elétrico

O termo curtailment, ou corte de geração, surge como o vilão principal na justificativa da Solatio. Em termos técnicos, curtailment ocorre quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina que usinas, majoritariamente eólicas e solares, reduzam sua injeção na rede. Isso acontece por limitação de escoamento ou por excesso de geração em um determinado ponto do sistema.

Para um gerador de energia renovável, especialmente aqueles em leilões mais antigos ou sem contratos firmes robustos, o curtailment representa uma perda direta de receita, corroendo a viabilidade técnico-econômica dos empreendimentos. A percepção de risco se torna, assim, um fator decisivo no fechamento de projetos.

Implicações da Lei 15.269 na Previsibilidade de Investimentos

A Solatio, ao evocar a Lei 15.269, aponta para a incerteza criada pelas novas regras. Esta lei, que trata de questões regulatórias importantes, incluindo potencialmente a gestão de curtailment e a expansão do mercado livre, ainda carece de regulamentação detalhada pela ANEEL.

Fontes próximas ao setor indicam que a falta de clareza sobre como e quando o ressarcimento por esses cortes será implementado desestimulou o desenvolvimento de novos projetos. A ausência de um mecanismo de compensação rápido e justo transforma o risco de curtailment de um mero operacional em um risco de crédito fatal.

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Impacto no Mercado e Posicionamento de Outros Players

Outros grandes players do mercado, como a Casa dos Ventos, já haviam sinalizado a desistência de gigawatts em projetos citando o risco de curtailment e a necessidade de maior segurança regulatória. A desistência da Solatio em Minas Gerais, um estado tradicionalmente atrativo para a energia solar, serve como um alerta ensurdecedor.

A ANEEL, por sua vez, tem buscado avançar na regulamentação da Lei 15.269, inclusive com propostas de critérios para o corte de geração. Contudo, a velocidade do marco legal não tem acompanhado a velocidade da expansão renovável e, crucialmente, a velocidade com que os desenvolvedores precisam tomar decisões de investimento.

Fatores Macroeconômicos e Custo de Capital

O cenário é agravado por fatores macroeconômicos. As elevadas taxas de juros e a extinção gradual de subsídios anteriores tornam o custo de capital muito mais oneroso para novos empreendimentos. Sem a garantia de que a energia gerada será integralmente remunerada, o custo do dinheiro inviabiliza a equação financeira.

Para o mercado de energia brasileiro, a saída de um projeto de 150 MW de uma empresa como a Solatio é mais do que um evento corporativo; é um indicador de que as barreiras para a expansão limpa estão se tornando intransponíveis para alguns. A energia solar no Brasil depende de estabilidade contratual e previsibilidade de escoamento.

O setor profissional aguarda ansiosamente a consolidação das regras da nova lei. Sem isso, o risco de ver mais projetos abandonados em Minas Gerais e em outros estados com alta penetração de fontes intermitentes se tornará uma triste rotina, penalizando a transição energética nacional. O recado da Solatio foi claro: a incerteza regulatória custa investimentos e capacidade instalada.

Visão Geral

A desistência de 150 MW de capacidade solar pela Solatio em Minas Gerais evidencia a crise de confiança no setor de energias renováveis. A principal causa reside na insegurança jurídica imposta pelo risco de curtailment não compensado e pela lenta regulamentação da Lei 15.269, forçando o mercado a reavaliar investimentos estratégicos no país.

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